Delírios e Devaneios

Conversas no sofá vermelho...

02:26

O (im)pensável aconteceu...

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The Love Tree


Foto: http://www.flickr.com/photos/jennyterasaki/3279152168/in/set-72157623886642202/

Bastou revelar que não ia escrever mais neste blog, anunciar-lhe o fim, para logo começar a sentir uma certa inquietude. Quase todos os dias pensava "afinal ainda tenho coisas para dizer". E tinha. E tenho. Mas mudei de casa. Agora tenho Novos Delírios e Devaneios.

Porquê? Porque sim...

21:47

Fim

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18:38

Cuidado com o que sonhas....

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Toda a gente sabe que ninguém manda nos sonhos - a rainha Mab tem lá os seu caprichos...
Mas esta noite sonhei... Que tinha tido um bebé! Corrijo: uma menina, a quem chamei Rita, que era enorme, já tinha dentes e sabia falar! Depois de um parto rapidíssimo - não mais de 10 minutos no sofá da minha sala -, levantei-me toda satisfeita, limpei a menina e ela pediu-me.... Chocolate!
Bom, eu acordei com uma vontade enorme de rir e tentei fazer uma espécie de "autopsicografia" ao meu delírio...
Não é a primeira vez que sonho que estou grávida ou que tenho filhos pequeninos. Não é preciso puxar muito pela imaginação para concluir que o meu relógio biológico anda a fazer tic-tac, a enviar-me mensagens do além e, como já percebeu que com subtilezas eu não vou lá, decidiu ser bruto e não deixar margem para dúvidas.
O pai das criancinhas nunca aparece. Curioso! Será que não é relevante? Ou haverá uma mensagem implícita do tipo "deixa-te de esquisitices e despacha-te lá com isso"?
E porque será que depois destes sonhos, acordo sempre contente e bem-humorada? Porque é que nos sonhos as criancinhas nunca estão ranhosas, não choram, não fazem birras, não ficam doentes, não cospem a sopa, não sujam fraldas nem me fazem perder a paciência?


Estranho. Muito estranho! Cheira-me a publicidade enganosa...

17:35

Folhas que Caem

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Chegou o Outono. Ontem tivemos as primeiras chuvas, a primeira trovoada (ainda que envergonhada) e com ela o cheio e o calor que se libertaram da terra húmida.
Hoje, pela janela da sala de aulas, vi folhas caídas no chão.
Já ia sendo tempo!

23:21

Se num dia de Setembro....

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Se num dia de Setembro ouvires a chuva cair, e sentires o cheiro a terra molhada, lembra-te de mim.
Lembra-te do que não me disseste.
Dos passeios que não demos.
Das conversas que nunca tivemos.
E se não conseguires lembrar-te de nada... Então é porque não foi mesmo importante.

23:51

Silêncio. Não tenho nada para dizer

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Ando desaparecida. É um facto. Não tenho nenhuma explicação para isso... Apenas há alturas em que as palavras se escondem de mim, recusam-se a sair, como se também elas não tivessem nada a dizer.
Se calhar, até têm. Talvez seja eu que não as consigo ouvir.
Seja como for, escrever é, para mim, um acto de liberdade e prazer. Recuso-me a forçar a escrita.
Às vezes penso no que são estes períodos de silêncio. Talvez não sejam nada... Ou, se calhar, sou mesmo eu que não tenho nada a dizer e é provável que tenha deixado que as palavras morressem dentro de mim.

17:31

Sons de uma tarde de Verão

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OMIRI LIVE Teatro da Luz - Dentro da Matriz from Tiago Pereira on Vimeo.

Entrei na Fnac esta tarde e chegou-me aos ouvidos uma melodia que de imediato me despertou da letargia de mais um dia de calor (excessivo, para o meu gosto). Segui o som. Cheguei ao auditório e lá estavam eles. Os Omiri. Pedi um café, sentei-me e fiquei ali, completamente alheada de tudo, a ver e a ouvir. Sim, porque se trata de um trabalho para ver e ouvir. Ouve-se a música e vêem-se imagens. Imagens de bailes e bailados projectadas numa tela.

De repente, viajei no espaço e no tempo.

Comprei o C.D. e tenho estado a ouvi-lo... É simplesmente impressionante!

19:09

Regresso a Casa

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Milfontes estava assim!
As férias foram muito boas e, apesar de inicialmente estar um pouco apreensiva, foi óptimo!
Fui à praia todos os dias, li imenso, passeei, desliguei-me do mundo.
Acho que a experiência é mesmo para repetir. Afinal, quem tem medo de passar férias sozinho/a? Eu (já) não!

02:12

Se perguntarem por mim, digam que fui de férias!

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Estou de malas aviadas.
Pela primeira vez na vida, ganhei coragem para fazer férias sozinha.
Considero-me uma pessoa relativamente despachada e independente. Sei ler um mapa. Levo o carro à oficina. Já aprendi a ver a pressão dos pneus. Consigo resolver os problemas básicos de informática. Quando não consigo, pago a quem resolva. Vou sozinha ao cinema. À praia. A uma esplanada. A um restaurante (para almoçar).
No entanto, sempre achei estranha a ideia de passar férias sozinha... Ainda acho. Estou convencida que não deve "doer" muito. Deve ser como dar um mergulho em água fria num dia de calor abrasador. O que custa é habituarmo-nos...
Seja como for, fiz uma reserva numa quinta que fica em pleno parque natural da Costa Vicentina, a 2 km de Vila Nova de Milfontes. É um lugar que conheço muito bem, tenho amigos que vivem lá, e estou entusiasmada com a ideia.

Só há uma coisinha que me faz alguma comichão.... Uma pessoa paga exactamente o mesmo que... duas! Pois. Parece que a filosofia continua a ser "Férias?... Só se for acompanhado/a"

18:05

O que farei quando nada muda?

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Já muito tempo passou desde a última vez que aqui escrevi alguma coisa, por isso faz sentido fazer um ponto da situação. Nada muito extenso, que não gosto de divagar. Um apanhado, portanto, do que foram os últimos dois meses. Uma súmula. Uma enumeração clara e sucinta apenas com os factos relevantes. Sem adjectivos, considerandos nem considerações. Sem prólogos nem epílogos... Posto isto, cá vai:
a) Estou mais velha (mas não se nota);
b) Deixei de fumar e ganhei muitos beijinhos da minha sobrinha "Ai-que-bom-tia-cheiras-tão-bem-e-agora-já-não vais-morrer!"
c) Continuo arisca
d) Basicamente, está tudo na mesma!

22:23

Tragam o colete-de-forças!

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Foto: http://coisasquebrilham.blogspot.com/2010/04/colar-madreperola-ref-32.html



Tenho andado numa roda-viva com isto de fazer bijuterias... à procura de materiais (bonitos, com alguma qualidade e economicamente suportáveis), a fazer experiências, a tirar fotos ao meu próprio pescoço e aos brincos que vou conseguindo fazer, a tentar divulgar o meu trabalho e, claro, a trabalhar na escola!

Mas é muito bom aprender coisas novas usando o velho método tentativa-erro e sentir a motivação de ver as coisas a ganhar forma. Quem diria...

22:38

Surpresa!

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Ainda não descobri com quantos troncos se constrói uma jangada, mas quando os ventos são fortes e as correntes adversas, prefiro procurar um porto de abrigo, poupar energias e repensar na vida.
Foi o que fiz durante este mês e meio. Serviu para muitas coisas.
Entre elas, para descobrir que afinal não tenho duas mãos esquerdas e até consigo divertir-me com trabalhos manuais. É isso mesmo! Tenho andado entretida a tentar descobrir como se faz bijuteria e, surpresa das surpresas, os resultados não têm sido muito maus!
De tal forma que me entusiasmei e, como já não tenho pescoço nem orelhas para usar tantos brincos e colares, construí um blogue para tentar vender algumas peças. Esta semana consegui os primeiros resultados - fiquei radiante!
Cotton Candy - Coisas que brilham é o nome do meu novo blogue. Se quiserem espreitar, comentar, divulgar, ficarei muito contente! Se resolverem comprar, melhor ainda! ;)

Se não tiverem paciência para nada disso, também não faz mal. O que conta é que é muito bom estar de volta!

22:30

Regresso a casa

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É bom voltar para casa. Mesmo que esta tenha sido apenas uma curta viagem sentimental...
E se numa noite de Inverno um viajante nos contar uma história de personagens exóticas e lugares longínquos, a viagem não terá sido tempo perdido...

22:07

Distracções

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Foto: http://www.flickr.com/photos/nichollsphotos/3010144444/

Ontem ouvi o primeiro-ministro, na entrevista que deu a Miguel Sousa Tavares, dizer com um ar muito indignado: "A mim, ninguém me trata por chefe!". E eu que achava que ele era chefe de Governo! Ando mesmo distraída...

21:27

Um Mimo

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Hoje a Brown Eyes presenteou-me com este mimo: Dizem as regras que devo dizer o que achei do selo.
O selo é bonito e fico contente por se ter lembrado de mim. Mas o verdadeiro mimo é o prazer de trocar ideias com pessoas que nos tocam sem nos conhecerem. Pessoas que nos dirigem duas palavras simplesmente porque lhes apetece. Pessoas que são tão generosas que nos dão o seu tempo. Pessoas como a Brown Eyes. Muito obrigada!

18:46

Implicâncias minhas

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Há expressões que me fazem comichão - eu avisei: ando muito comichosa ultimamente.


Uma dessas expressões é "certas e determinadas". Há certas e determinadas coisas que eu não compreendo. Não seria suficiente dizer há certas coisas que não compreendo? Ou há determinadas coisas que não compreendo? Ou, melhor ainda, há coisas que não compreendo? - Há certas e determinadas pessoas que muito gostam de complicar! Digo eu...

21:43

Segunda-feira... outra vez!

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Os dias da semana não costumam afectar o meu estado de humor.
Mas desta vez... É que nem dei pelo fim-de-semana! Passou a correr e a chover (ainda por cima)! Será que não podíamos passar por cima da segunda-feira? Vá lá! Só desta vez...

17:30

Carta aberta a um aniversariante

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Tenho um amigo que faz hoje anos.
Perdemos o contacto e não sei se se trata de um afastamento temporário ou não... Mas tenho pena. Tenho pena, porque sinto falta das nossas conversas. Porque os amigos nunca são demais.

E porque nos afectos a distância não se mede em quilómetros, parabéns!

21:40

Qualquer dia.... Foi hoje!

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Tenho as mãos suadas. O coração parece que vai sair disparado porta afora.
Acabei de enviar a minha candidatura para fazer um estágio numa editora!
Tenho andado a pensar no assunto há muito tempo. Gosto muito de ensinar, sem dúvida, mas adorava poder trabalhar com livros, envolver-me num projecto editorial. Apetece-me sentir o entusiasmo e o deslumbramento de aprender coisas novas. Apetece-me começar de novo. Mesmo que seja em pezinhos de lã, não posso deixar tudo para trás e viver dos sonhos, mas... Hoje foi o dia!
Estou a tentar refrear o entusiasmo, sei que é possível que nem resposta receba. Afinal, não tenho formação específica nem experiência. De qualquer modo... façam figas!

19:46

Pessoas assim provocam-me comichão

Publicada por Arisca |


Há pessoas que não consigo compreender. Lamento, mas não consigo.
Não consigo simpatizar com pessoas cheias de certezas, que acham que sabem tudo, que julgam que têm todas as respostas e a solução para qualquer problema.
Irritam-me aqueles que se dizem "directos e frontais", mas que usam esses adjectivos para justificar a sua arrogância.
Não tenho paciência para quem está cheio de si mesmo e só se consegue ouvir a si próprio.
Quando estou perto de alguém assim, desligo.
Foi o que aconteceu hoje. De um almoço de quatro pessoas que se estendeu por duas horas, ficou-me na memória uma óptima refeição e um longo silêncio pontualmente interrompido por uma irritante voz de fundo.

É preciso ter dúvidas. Só os estúpidos têm uma confiança absoluta em si mesmos - Orson Welles

Ela bebeu o café sem pressa, esperou que os dois homens de fato e gravata se levantassem para sair. O que tinha a marca vermelha na testa ia ligeiramente atrás e ela, pelo canto do olho, reparou que ele lhe deixara um pequeno botão metálico em cima da mesa, sem lhe dirigir uma palavra nem o olhar.
Ela pagou, meteu o botão no bolso, levantou-se e ajeitou o casaco por forma a disfarçar a falta do botão das calças.
Dirigiu-se à porta, pensando para si mesma "Não queiras emagrecer, não..."

20:24

Hoje à hora de almoço

Publicada por Arisca |

Foto: http://www.flickr.com/photos/atomicglee/3955129044/

Entrou no restaurante, sentou-se a uma mesa junto à janela e fez o pedido. Era visível o desconforto. Não sei se pelo facto de não ter companhia para o almoço, ou por outro motivo qualquer. Trouxeram-lhe a bebida, uma garrafa de água média, natural, e ela tirou o jornal da pasta. Foi passando os olhos pelas notícias, indiferente ao que se ia passando à sua volta. Não reparou num grupo de cinco pessoas, numa mesa vizinha, em alegre cavaqueira, nem nas suas gargalhadas. Não reparou numa mesa ocupada por dois homens de fato e gravata que iam conversando, e se iam ocupando de pãozinho com manteiga, enquanto esperavam pela refeição. Não reparou num grupo de três mulheres que conversavam animadamente. Não notou o telintar de copos, pratos e talheres, nem na agitação dos empregados que percorriam a sala apressadamente para responder às solicitações dos clientes.
Só havia espaço para ela, para o jornal e para uma ruga, que parecia de preocupação, que lhe desfigurava a testa.
Depois de almoçar, levantou-se, passou por um dos empregados, pediu um café.
Quando voltou, puxou a cadeira para se sentar. No momento em que se sentava, ouviu-se um barulho seco e um dos homens de fato e gravata da mesa em frente não conseguiu reprimir um gritinho. Se de dor ou de surpresa, não sabemos. Levou a mão à testa. Uma marca vermelha, redonda como um botão, manchava-lhe a pele.
Ela corou, desviou o olhar para o jornal, começou a mexer o café. A ruga que antes lhe marcava o rosto desapareceu. Podíamos até vislumbrar a sombra de um sorriso tímido.

20:19

Sol de Inverno

Publicada por Arisca |


Tenho andado comichosa, rabugenta, impaciente, mal-humorada, impertinente.
Como o tempo. Ou não.
É nestes momentos que percebo como é difícil viver comigo. Até para mim!
Hoje tivemos finalmente um dia de sol. Foi dia de abrir portas e janelas e arejar a casa e a cabeça. Foi dia deixar o sol entrar.

20:44

Leva-me Contigo

Publicada por Arisca |


A casa está vazia. Já não mora cá ninguém.
Já não te ouço os passos, nem o riso.

Lembras-te de quando nos sentávamos debaixo da ameixeira do jardim?
Nunca te disse, mas gostava de olhar para ti! Gostava de quando me perdia na imensidão dos teus olhos azuis e reconhecia cada um dos caminhos traçados no teu rosto! Das tuas mãos trémulas que voltaram a ter a suavidade de outrora. Do teu cabelo feito de nuvens de algodão doce.

Lembras-te de quando nos sentávamos debaixo da ameixeira do jardim?
Eu segredava-te doçuras ao ouvido e tu coravas. Pousava o braço nos teus ombros, roubava-te um beijo e tu chamavas-me tonto. Contava-te histórias e tu rias-te.

Lembras-te de quando nos sentávamos debaixo da ameixeira do jardim?
Bebíamos e saboreávamos aquela tranquilidade...

Lembras-te de quando nos sentávamos debaixo da ameixeira do jardim?
Eu fui deixando de te ouvir, tu foste deixando de me falar e fomo-nos habituando à presença silenciosa um do outro.
Tantas coisas que não dissemos!

Ontem não nos sentámos debaixo da ameixeira do jardim.
Já não te ouço nem os passos, nem o riso. Sufoca-me o vazio da tua ausência!
Fechei as janelas. Tranquei a porta. A casa está vazia.

Sento-me debaixo da ameixeira do jardim e é lá que quero esperar por ti.

(Texto recuperado do tempo em que escrevia A Tinta Permanente)

Fábrica de Letras - Aqui fabricam-se palavras, sonhos e emoções.

18:35

A Dona Elisa

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Foto: http://www.flickr.com/photos/29950717@N05/3791148682/

Como já aqui disse antes, moro num bairro onde toda a gente se conhece, nem que seja de vista.
Cresci neste bairro, saí e voltei uns anos mais tarde. Coisas da vida, mas essa é outra história.
Há uns tempos, fui à farmácia aqui da rua e encontrei lá uma senhora de idade respeitável. Como há por aqui muitas senhoras de idades igualmente respeitáveis e, tirando 2 ou 3 excepções, todas me parecem "iguais", não sei o nome de todas. Voltando à farmácia, encontrei lá uma dessas senhoras, cumprimentei-a e ela fez-me uma grande festa.
- Como está? Há tanto tempo que não a encontrava! E o marido? Ah coitada! Pois... E a mãezinha? Há tanto tempo que não a vejo!
No meio de tanta emoção, achei por bem perguntar-lhe pelo marido.
- Sr. Manuel? Quem é o Sr. Manuel? Está a fazer confusão!
- Ah, desculpe, pois estou! Desculpe, não ligue...
Para ajudar à festa, sentia-me a ficar de todas as cores e sem me lembrar do nome de nenhuma das "velhotas"! Ela acabou de ser atendida, e eu ali, à espera, sem saber para onde olhar.
- Cumprimentos à mãezinha. Diga que lhos manda a Elisa. Ela sabe quem é!
Piscou-me o olho e saiu. Que vergonha! Apetecia-me fugir!

Uns dias mais tarde, contei o que se tinha passado à minha mãe.
- Confundiste as "velhas" - disse ela a rir à gargalhada - A D. Elisa é viúva, a mulher do Sr. Manuel é a D. Conceição....
- E se ela ficou ofendida?
- Não ficou nada!
Hoje a minha mãe foi tomar café comigo ao tal mini-mercado. Quando entrámos, vi logo a D. Elisa. Fiz sinal à minha mãe. Fomos pedir o café e cumprimentámo-la. A minha mãe "atacou" logo o assunto, já perdida de riso:
- Então a minha filha queria arranjar-lhe um namorado?
Ela deu uma gargalhada e desmanchámo-nos as três a rir. Bebemos o café, elas juntaram-se as duas para brincar comigo e no fim desafiei-a para irmos as duas a um baile, por altura dos Santos Populares, para ver quem arranjava primeiro namorado!
Quando nos despedimos, não resisti. Pespeguei-lhe dois beijinhos e um abraço. Dos verdadeiros.
Ficámos um bocadinho emocionadas. Não conheço os motivos da D. Elisa, nem sequer os meus. Não é importante. O que conta é que foi um daqueles carinhos que nos enchem a alma.

Fábrica de Letras - Aqui fabricam-se palavras, sonhos e emoções.

19:51

Adeus! E não volte!

Publicada por Arisca |






É oficial!! O azar foi-se!!!

Participei num concurso, ganhei e recebi hoje o meu prémio: A Ilha debaixo do Mar, da Isabel Allende! Chegou hoje, inteiro, com as páginas todas e sem defeitos de impressão!

Há pessoas que participam em concursos para ganhar viagens, carros, dinheiro... Eu, que nem no Euromilhões jogo, concorro para ganhar um livro! Cada um sabe do que gosta!

20:33

E os azares continuam....

Publicada por Arisca |


Esta noite foi em sonhos...
Sonhei que tinha deixado os alunos a trabalhar e, como me sentia cansada, tinha vindo a casa dormir uma sesta. (??) Depois voltaria, meia hora antes da aula acabar, e inventava uma desculpa qualquer! (???)
O azar começou quando acordei mais tarde do que esperava. Depois, faltou a luz e, imagine-se, não conseguia calçar-me! Sim, é isso mesmo!
Insistia em tentar calçar o sapato esquerdo no pé direito (vai-se lá saber porquê) e não havia forma de conseguir ter os dois sapatos nos pés em simultâneo... E o tempo ia passando...
Andei numa enorme aflição, faltavam 5 minutos para a aula terminar e continuava com os sapatos fora dos pés!
Mas a minha sorte já está a mudar: acordei angustiada, cansada e aflita para ir à casinha. Como é que a minha sorte está a mudar? - No auge dos meus dias de aziago, teria feito chichi na cama!!

16:42

Azares em cadeia

Publicada por Arisca |



Sou uma alminha com muito azarada, graças a Deus!
No último Verão, no espaço de 2 semanas, avariou-se o leitor de DVD, o computador portátil e a aparelhagem. Avarias a sério. Estava tudo fora do prazo de garantia. Resultado: substituição. De tudo.
No final de Novembro comprei um aquecedor a gás. Redondinho. Giro. Moderno. Abri a caixa, no momento em que o ia pagar. Faltava-lhe um botão. Fui trocá-lo. O segundo tinha botão! Cheguei a casa. Não funcionava. Voltei à loja dois dias depois. Ia trocá-lo. Já não havia mais nenhum. Devolveram-me o dinheiro. Fui comprar outro igual, a outra loja. Tinha botão. Funcionava. Funcionou. Um mês. Nem mais um dia. Levei-o à loja onde o tinha comprado. Esperei um mês. Na loja, não conseguiram voltar a entrar em contacto com a assistência técnica. Devolveram-me o dinheiro. Passei um mês a tiritar. Hoje fui comprar outro aquecedor. Quadrado. Feio. Tem botão. Funciona. Por enquanto.
Feliz da vida, fui arrumar a casa. Avariou-se o aspirador.


Moral da história: Oh tu, aí em cima... Sim, tu. Estás a brincar comigo, certo?

13:18

Lições de Pessoa

Publicada por Arisca |



Andava eu numa das minhas deambulações numa livraria de Lisboa quando assisti a uma conversa que me deu que pensar:
- Onde estão os livros de Fernando Pessoa? - perguntou uma cliente
- Ali, naquela secção. - respondeu, solícita, a funcionária.
- Ah, é que vi lá o Alberto Caeiro e o Álvaro de Campos, mas o que eu queria é "mesmo" do Fernando Pessoa.
- Qual é o livro que procura?
- O Livro do Desassossego.
- Esse não é do Fernando Pessoa. Acho que é do Bernardo... Não, é do Bernardino Ribeiro. É isso!

Cliente e funcionária iniciaram a procura do tal livro. O do Desassossego. Se se trata do "desassossego" de Bernardim Ribeiro (posto em tal estado devido, talvez, a uma certa "Menina e Moça") ou do "desassossego" de Bernardino Machado (ainda às voltas com os problemas da República), já não sei.
O mais extraordinário aconteceu depois.
Juro-vos! Eu vi!
Juro-vos que vi Bernardo Soares, que ouviu a conversa, saltar da estante, indignado, com O Livro do Desassossego em riste. Atirou o livro, que acertou na cabeça da funcionária, deixando-a quieta, muda, calada e sossegada durante uns minutos.

Pronto. Confesso. Não vi. Imaginei.

Ps: Eu não acho que toda a gente tenha de saber quem foi Bernardim Ribeiro, Bernardino Machado, Bernardo Soares ou Fernando Pessoa. Não acho que se seja mais feliz por isso. Conheço excelentes pessoas que nunca ouviram falar de nenhum deles.
Mas alguém que trabalha numa livraria, se não tem a certeza do que está a falar, não devia, pelo menos, informar-se antes de dizer disparates? Digo eu...

21:40

Indignação

Publicada por Arisca |





Absolutamente fabuloso!
Indignação, de Philip Roth, conta-nos a história de Marcus Messner, um jovem oriundo de uma família de talhantes kosher de Nework que vive dividido entre o desejo de terminar o curso com a nota máxima, a necessidade de se emancipar, e o medo de ser enviado para a Guerra da Coreia.
"O mais pequeno passo em falso pode ter consequências trágicas".
Esta é uma história de perseverança, inconformismo, indignação. - O título não podia ser mais adequado!
É também uma história de ternura. E de solidão.

20:20

Daisy Miller

Publicada por Arisca |




Um dos clássicos da literatura.
Winterbourne e Daisy Miller conhecem-se em Vevey e o jovem sente-se imediatamente atraído pela beleza de Miss Daisy e, principalmente, pelo à vontade com que esta infringe as regras de boa conduta de uma sociedade profundamente conservadora.
Reencontram-se em Roma e a opinião de Winterbourne a respeito de Daisy Miller oscila: pura, inocente e espontânea ou simplória e vulgar? O jovem não se consegue decidir nos seus juízos.
Uma história de amor, sedução e preconceito. Daquelas que se lêem numa tarde de Inverno, sem sobressaltos.
De vez em quando, sabe-me muito bem ler um livro assim!

20:02

O Mar em Casablanca

Publicada por Arisca |





Foi o primeiro livro que li de Francisco José Viegas.
"Conheço-o" dos programas sobre livros e literatura, das excelentes entrevistas a escritores, mas não conhecia a sua escrita.
A vida do detective Jaime Ramos cruza-se com um dos casos que investiga e serve de mote para recordar e tentar descobrir o que realmente aconteceu a Adelino Fontoura, em África, durante a Guerra Colonial.
Jaime Ramos, Adelino Fontoura, Mariana Serra, Isabel Castro e Benigno Mendonça cruzam-se ao longo da história e a dificuldade está em estabelecer a relação entre eles.
O policial não é o meu género favorito, mas já li policiais que me prenderam da primeira à última página.
O Mar em Casablanca agradou-me, mas esperava mais.
Esperava mais suspense. As analepses e prolepses estão lá, os recursos e as figuras de estilo também. Contudo, senti um certo atabalhoamento nos últimos capítulos, uma espécie de urgência na resolução do mistério, que me desiludiu um bocadinho. É pena.
Li as últimas linhas e pensei "soube-me a pouco".

23:26

A Promessa

Publicada por Arisca |




Amanhã.
Prometo que é amanhã.
Amanhã falarei contigo e visitarei os amigos que tenho andado a evitar.
Amanhã vou resolver todos os problemas e chatices dos últimos dias.
Amanhã acordo cedo e regresso ao mundo dos vivos.
Prometo que vou andar pela rua sem medo do frio e da chuva.
Sentar-me-ei à janela a saborear uma bebida quente.
Vou estar com outras pessoas, conversar e, com alguma sorte, pode ser que até consiga dar uma garganhada. Vou tentar.
Prometo que amanhã saio desta concha, do ninho, do casulo.
Amanhã volto à vida. Prometo.
Mas só amanhã. Agora deixa-me descansar.

14:33

Ajudar a aprender

Publicada por Arisca |

Artista: Rui (In- Provavel)

Soube desde muito cedo o que queria ser quando "fosse grande". Queria ser professora. Simultaneamente quis também ser cabeleireira, ama, cozinheira, arqueóloga... Mas professora, sempre!
Não sabia o que queria ensinar. Não era importante. Aliás, só quando fiz os exames de acesso à faculdade é que comecei a pensar em ensinar Português. Já na faculdade, descobri que isto de se ensinar Português era demasiado vago. Com o tempo as coisas foram-se clarificando nesta cabeça confusa e descobri que queria ensinar Português a estrangeiros.
Mas há um longo caminho entre "querer ensinar" e "conseguir ensinar"...
Passaram-se mais de dez anos desde a primeira aula e ainda não consegui deixar de sentir uma certa frustração sempre que alguém não atinge os objectivos mínimos... Tenho consciência de que faço o melhor que sei e posso, mas... Nem sempre o meu melhor é suficiente!
Se me perguntassem hoje "O que é queres ser quando fores grande?" a minha resposta não seria a de outros tempos. Em vez de "ser professora" responderia "quero tentar ensinar".
A grande compensação é que, no meio disto tudo, sinto um orgulho enorme quando os ouço conversar, fora das aulas, em Português...

20:55

Outras histórias

Publicada por Arisca |

Sentei-me no sofá da sala. À minha frente, duas estantes apinhadas de livros. Uns arrumados na vertical, outros na horizontal. O critério é simples: o da economia de espaço. Gosto de ficar a olhar para eles, tiro um ou outro, leio as contracapas, folheio-os, namoro-os, volto a arrumá-los no lugar.
Os títulos fascinam-me. É-me difícil resistir a um bom título mesmo sabendo que isso não é garantia de um bom livro. Às vezes imagino que outra história se poderia acolher sob o mesmo título. Foi o que aconteceu com "O Nome da Rosa".

Hoje dei por mim com "A Soma dos Dias":

Foto: http://www.flickr.com/photos/21873122@N08/2490580130/

Ela não era como as outras mulheres do seu tempo. Não se casara, não tivera filhos e escolhera uma profissão num tempo em que as mulheres não trabalhavam.
Nasceu antes de tempo. Num tempo que não estava preparado para mulheres assim. Não cuidou de criancinhas abandonadas nem de enfermos esquecidos numa cama de hospital. Ninguém sabia o que fazia dos seus dias. Dizia-se que trabalhava no teatro, que dormia de dia e trabalhava à noite. Talvez fosse actriz num antro de maus costumes...
A família desistiu de lhe fazer perguntas e tolerava-lhe as excentricidades. Teve amigos e amantes, mas não suportava sentir-se presa.
Um dia anunciou que já não vivia sozinha. Tinha um companheiro, aos 75 anos. As pessoas riam-se com aquela paixão extemporânea e inusitada.
Ela ignorou as críticas veladas. Escolheu não se contentar com a soma dos dias.

17:49

A Estrada - o filme

Publicada por Arisca |





Ainda não li nenhum livro de Cormac McCarty, mas a curiosidade tem andado a tentar-me desde "Este País não é para Velhos". Agora, depois de ter visto "A Estrada", fiquei com a certeza de que tenho mesmo de ler e descobrir Cormac McCarthy!

A jornada de pai e filho por locais inóspitos e em cinzas, num momento em que a luta pela sobrevivência fez com que os homens ultrapassassem os limites da condição humana, é intensa e inquietante.
"A Estada" é isso mesmo: um filme inquietante cujas imagens não se desvanecem quando se acendem as luzes da sala.

15:44

A Terceira Condição

Publicada por Arisca |



Mais uma leitura: A Terceira Condição, de Amos Oz.
O cenário é Jerusalém e a personagem central é Efraim (Fima).
Um homem solitário de 54 anos que precisa do pai para as pequenas coisas do quotidiano e que reclama constante atenção dos amigos.
A vida de Fima vai-se desenrolando entre encontros sexuais fugazes (nomeadamente com Nina, esposa do seu amigo Uri), telefonemas inoportunos a Tsvi (amigo dos tempos de estudante por quem nutre uma inconfessável inveja), visitas inconvenientes e a Yael e a Teddy (a sua ex-mulher e o marido desta), momentos de cumplicidade com o filho destes, Dimi, e reflexões sobre o conflito entre israelitas e palestinianos.
Confesso que no início este livro não me prendeu, talvez devido às referências políticas e culturais que não consegui apreender. Mas, a partir de uma determinada altura, fui-me envolvendo na história deste homem-criança que não sabe viver com os outros. Nem sem eles.

16:51

O Carteiro

Publicada por Arisca |



Moro num bairro dos arredores de Lisboa. Num lugar onde todos se conhecem pelo menos de vista. Numa rua onde os recém-chegados são alvo de curiosidade e onde a visita diária ao mini-mercado é o ponto alto da vida social de algumas pessoas. É lá que se discute e analisa tudo o que vai acontecendo (e se vai sabendo) e é lá também que as senhoras que não trabalham bebem a sua bica e comem um bolinho.
Hoje de manhã fui lá abastecer-me de fruta e legumes. Até aqui, nada de especial. O caso extraordinário deu-se quando parou uma motorizada que compete em níveis de ruído com as Zundapp de outros tempos.
- Olha! É o carteiro! - E os olhares dirigiram-se quase todos para a porta.
A famosa personagem entrou, despiu o impermeável a pingar, e foi distribuindo sorrisos e cumprimentos.
- Há correio para mim?
- Oh Sr. Carteiro, a minha reforma? Ainda não chegou?
- Hoje não há nada para si.
- Veja lá, não se vá enganar e deixá-la na caixa do 2º dto. Não está lá ninguém e depois é uma carga de trabalhos!
- Fique descansada. Quando chegar alguma coisa, toco à campainha e entrego-a em mão.
E lá foi ele dando explicações como se fosse o médico da aldeia apanhado por descuido à porta da igreja depois da missa de domingo.
- Este tempo... O Sr. Carteiro, coitado, farta-se de apanhar frio e chuva! Deixe lá que eu vou oferecer-lhe umas luvas quentinhas.
- Não é preciso. Não me dá jeito usar luvas. Depois não consigo separar o correio.
- Pois é... Coitado! Olhe, beba um café coma um bolinho, que hoje ofereço eu!
- Isso é que era bom! O café ofereço eu! Eu já lhe tinha dito ontem...
As conversas continuaram, com as velhotas a digladiar-se na negociação das ofertas de bolos e cafés, e eu saí a cantarolar uma música do Sérgio Godinho:

Chegou o carteiro
das nove p'rás dez
e a vizinha do lado
de roupão enfiado
chegou-se à janela
em bicos de pés
e logo gritou:
"traz carta p'ra mim?"
e o carteiro que é gago
espera um bocado
e responde-lhe assim:
"não não não não não
não não não trago nada
só só só só só
só trago o pacote
da sua criada"

19:47

Lisboa à chuva

Publicada por Arisca |


Gosto do aspecto lavado da cidade depois de longos dias de chuva.
Do reflexo das luzes nas poças de água. Dos contornos nítidos dos edifícios. Das cores que ganham vivacidade. Da frescura renovada.
Gosto de tudo isto, mas apetece-me dizer: "Já chega. Não é preciso exagerar!"

21:56

Sono de Inverno

Publicada por Arisca |


Hibernei nos últimos dias. Acordei do meu sono de Inverno muito esporadicamente, mas soube-me bem o silêncio, a paz e o descanso.
A vida prossegue amanhã.

17:27

O meu reino por uma lareira

Publicada por Arisca |


O frio é tanto que até a minha alma está entanguida!

19:34

Livros que mudam vidas

Publicada por Arisca |


Confesso que não é o tipo de leitura que prefiro. Confesso que olho até para alguns títulos com alguma desconfiança. Tenho dificuldade em dar o benefício da dúvida a livros que contêm receitas para uma vida feliz. Ou para famílias exemplares.
Quando ouço "Este livro mudou a minha vida" até me arrepio.
Livros que nos ensinam a viver? - Não me cheira.
Mas é um facto que, com 15 ou 16 anos, numa fase em que as discussões lá em casa ferviam a qualquer hora, sugeri com muita subtileza "Inventem-se Novos Pais" de Daniel Sampaio como presente de Natal. Para mim. Eu li, quem eu queria que lesse também e o convívio não mudou radicalmente, mas serviu para muitas coisas: a mim, ajudou-me a compreender o turbilhão de emoções em que andava afogada. Aos meus pais, serviu para os tranquilizar um bocadinho. À minha irmã, serviu para dizer "Quando tinha a idade "dela" - "ela" era eu - não havia nada disto".
Muitos anos mais tarde li, a conselho da minha psicóloga, um livro cujo título é "A Inutilidade do Sofrimento". Zanguei-me com o que li, sublinhei tudo aquilo com que discordava muito bem sublinhadinho, preparei o meu "contra-ataque" e na sessão seguinte de psicoterapia expus o meu ponto de vista. Depois de me deixar dizer tudo o que queria, riu-se e fez um único comentário: "Pelo menos este livro fê-la reagir!"
Então em que ficamos? - Não sei! Depois da conversa da próxima quinta-feira, na Bertrand do Chiado, logo se vê.

15:00

A Vida em Surdina

Publicada por Arisca |




E foi esta a primeira leitura do ano.
A Vida em Surdina, de David Lodge, é um daqueles livros que não nos deixam descansar enquanto não terminarmos a leitura. Eu li-o de um fôlego só e se, por um lado, não me apetecia fazer pausas, por outro, a partir do momento em que li a primeira metade, dava por mim a tentar abrandar no ritmo para prolongar o prazer.
A trama é relativamente simples, um professor universitário na reforma, que se vê de repente com muito tempo livre, ao mesmo tempo a que assiste ao sucesso da vida profissional da companheira.
Somando a isto, a perda da capacidade de adição -os equívocos provocados pelo problema chegam a ser, em algumas situações, delirantes. E uma jovem americana que se insinua e tenta aproximar dele sem que se compreendam muito bem os seus motivos.
E se pensam "Típico! Um professor sexagenário que se apaixona por uma aluna com idade para ser filha dele...", estão muito enganados. Mas mais não digo.
Gostei particularmente da forma como se começa a desenhar o final nos dois últimos capítulos.
Sobre a tradução, devo dizer que se trata de um trabalho excelente de Tânia Ganho. As soluções encontradas para traduzir jogos de palavras que têm sons semelhantes em inglês e que, por isso mesmo, podem provocar confusão em pessoas com deficiência auditiva parecem-me muito bem conseguidas. As notas da tradutora ajudam bastante na compreensão desses jogos.
Apetece-me deixar aqui a ideia que nos acompanha ao longo do livro: "A cegueira é trágica. A surdez é cómica".

17:23

O Prazer do Café

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Gosto de café. Do cheiro. Do sabor. Da cor. Da camada de espuma cremosa à superficie.
Café, para mim, tem de ser bebido sem pressa. Degustado. Saboreado.
Com uma colher de açúcar. Bem quente e servido em chávena de louça. Gosto de aquecer as mãos na chávena e café em copo de plástico perde metade do encanto logo à partida.
Gosto de todo o ritual.
O café é um dos meus pequenos-grandes prazeres e agora apetecia-me imenso uma chávena desta bebida inebriante!

16:32

E se trocássemos umas ideias sobre o assunto?

Publicada por Arisca |



É ali, no Sofá Vermelho :)

12:15

Virar a página

Publicada por Arisca |

Foto: http://www.flickr.com/photos/buyie/3154073496/

Três palavrinhas a quem passa por este sofá vermelho: Feliz Ano Novo!
Mais umas palavrinhas: que haja muitas alegrias para escrever nas páginas em branco que se estendem à nossa frente. Haverá certamente algumas tristezas, incertezas, desilusões... É inevitável. Mas que não fiquem páginas em branco. Porque é com palavras que escrevemos a vida.

19:54

Uma questão de gosto

Publicada por Arisca |


Sou uma leitora voraz. Há alturas em que leio mais, outras menos, mais depressa ou mais devagar, com mais ou menos paixão, mas os livros estão sempre presentes.
Os critérios de escolha prendem-se muito com o momento. E se nem todos os bestsellers me entusiasmam, também não fujo deles como se tivessem alguma doença contagiosa.
Miguel Sousa Tavares, José Rodrigues dos Santos são bons exemplos. São campeões de vendas, os críticos ignoram-nos, eu gosto de os ler. E leio. E continuo a ler. E não sendo obras-primas da literatura, distraem-me durante uns dias e cumprem a sua função. Porque há livros que servem para nos entreter. Porque há alturas em que nos apetece adoptar uma atitude mas passiva, absorver, receber sem termos de dar demasiado de nós. Porque é legítimo. Porque nem todos os autores têm de ser escritores.
Claro que também há autores que nunca li, não quero ler, e com os quais embirro solenemente.
É uma questão pessoal. É o caso de Nicholas Sparks, Stephenie Meyer e Margarida Rebelo Pinto. Digamos que é antipatia visceral e não há nada a fazer...
Há autores que li há uns anos atrás, na altura gostei, e que agora não me dizem nada. Paulo Coelho, por exemplo. Quando li "Brida", fiquei deslumbrada. Depois o deslumbramento foi-se transformando em enfado e depois em... indiferença. A razão é simples: o que considerava uma leitura introspectiva passou a saber-me a receita-para-a felicidade-instantânea-confeccionada-com-ingredientes-insípidos-que-não-passam-de-lugares-comuns.
Porquê esta mudança? - A razão é simples: vamos ganhando experiência como leitores, tornamo-nos mais exigentes.
Além disso, o gosto vai-se refinando. Sim, porque o gosto também se educa.

16:12

Verdade Incontornável

Publicada por Arisca |



A gente indigna-se, zanga-se, revolta-se, esbraceja, vocifera e um dia... resigna-se.


17:53

Arrependimento III

Publicada por Arisca |


- Do que é que te arrependes?
- De nada. Nunca me arrependo de nada. Faria tudo outra vez!
- Exactamente da mesma forma?
- Sim.
- Curioso... Julgava-te mais inteligente!
- Desculpa?
- Uma coisa é aprender com os erros. Outra é repeti-los até à exaustão.
- Qual é o propósito do arrependimento?
- Boa pergunta...
- Para mim, é o perdão. A remissão dos pecados.
- Talvez...
- Significa então que podemos fazer tudo, desde que depois nos arrependamos.
- ...
- Curioso.... Não te julgava tão cínica!

21:48

Arrependimento II

Publicada por Arisca |




Porque o arrependimento, como o desejo, não procura analisar-se, mas sim satisfazer-se - Marcel Proust

19:33

Arrependimento I

Publicada por Arisca |


- Arrependes-te?
- Arrependo.
- Mas não foi um impulso.
- Não. Sabia perfeitamente o que estava a fazer.
- E voltaste a fazê-lo.
- E arrependi-me de cada vez. Só faço o que quero, porque sei que posso sempre arrepender-me depois.

12:29

Mensagem de Natal

Publicada por Arisca |


Caros amigos,

Desejo-vos um doce Natal, pleno de paz e ternura.
Bem sei que nos "conhecemos" há pouco tempo, mas não consigo evitar uma certa cumplicidade depois de tantas coisas partilhadas. Porque as palavras são poderosas: têm a força da pedra, quando atiradas, a magia do carinho, quando dadas. Têm o poder de afastar pessoas, de aproximar outras. São quentes como o fogo, frias como o gelo.
Gosto de palavras. E hoje, as palavras que deixo a quem as ler, são de ternura.
Ternura é o "meu" presente. Porque é ternura o que desejo que nunca nos falte.

Um abraço sem rosto, mas muito sentido
*Arisca

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