
Foto: http://www.flickr.com/photos/29950717@N05/3791148682/
Como já
aqui disse antes, moro num bairro onde toda a gente se conhece, nem que seja de vista.
Cresci neste bairro, saí e voltei uns anos mais tarde. Coisas da vida, mas essa é outra história.
Há uns tempos, fui à farmácia aqui da rua e encontrei lá uma senhora de idade respeitável. Como há por aqui muitas senhoras de idades igualmente respeitáveis e, tirando 2 ou 3 excepções, todas me parecem "iguais", não sei o nome de todas. Voltando à farmácia, encontrei lá uma dessas senhoras, cumprimentei-a e ela fez-me uma grande festa.
- Como está? Há tanto tempo que não a encontrava! E o marido? Ah coitada! Pois... E a mãezinha? Há tanto tempo que não a vejo!
No meio de tanta emoção, achei por bem perguntar-lhe pelo marido.
- Sr. Manuel? Quem é o Sr. Manuel? Está a fazer confusão!
- Ah, desculpe, pois estou! Desculpe, não ligue...
Para ajudar à festa, sentia-me a ficar de todas as cores e sem me lembrar do nome de nenhuma das "velhotas"! Ela acabou de ser atendida, e eu ali, à espera, sem saber para onde olhar.
- Cumprimentos à mãezinha. Diga que lhos manda a Elisa. Ela sabe quem é!
Piscou-me o olho e saiu. Que vergonha! Apetecia-me fugir!
Uns dias mais tarde, contei o que se tinha passado à minha mãe.
- Confundiste as "velhas" - disse ela a rir à gargalhada - A D. Elisa é viúva, a mulher do Sr. Manuel é a D. Conceição....
- E se ela ficou ofendida?
- Não ficou nada!
Hoje a minha mãe foi tomar café comigo ao tal
mini-mercado. Quando entrámos, vi logo a D. Elisa. Fiz sinal à minha mãe. Fomos pedir o café e cumprimentámo-la. A minha mãe "atacou" logo o assunto, já perdida de riso:
- Então a minha filha queria arranjar-lhe um namorado?
Ela deu uma gargalhada e desmanchámo-nos as três a rir. Bebemos o café, elas juntaram-se as duas para brincar comigo e no fim desafiei-a para irmos as duas a um baile, por altura dos Santos Populares, para ver quem arranjava primeiro namorado!
Quando nos despedimos, não resisti. Pespeguei-lhe dois beijinhos e um abraço. Dos verdadeiros.
Ficámos um bocadinho emocionadas. Não conheço os motivos da D. Elisa, nem sequer os meus. Não é importante. O que conta é que foi um daqueles carinhos que nos enchem a alma.