Delírios e Devaneios

Conversas no sofá vermelho...

13:21

Verso Branco

Publicada por Arisca |




Vídeo: Comptine d'un Autre Été - Stevie Ryan

Naquela noite arrumou algumas coisas numa mala preta, empoeirada, mas ainda por estrear.
A mala que tinha comprado para a viagem que nunca haveria de fazer.
Dentro de uma gaveta, deixou uma caixa velha de sapatos. Lá dentro, uma carta e um fio de ouro com um retrato.
Deitou-se, mas não dormiu.
À memória vinham-lhe imagens do que tinha sido a sua vida até aí. Quando passava pela rua, as pessoas fingiam que não a viam. Mas referiam-se a ela com o apodo com que a tinham brindado. Chamavam-lhe "Viúva". Não porque lhe tivessem conhecido marido. Apenas porque nunca a tinham visto acompanhada. Inventavam-lhe mistérios, sofrimentos, desgostos.
Diziam que era esquisita, que sofria de histeria.
Levantou-se cedo na manhã seguinte, ainda era noite lá fora, dirigiu-se a pé à estação de comboios, escolheu um destino, pagou o bilhete e partiu.
Ia recomeçar a vida noutro lugar, longe do fantasma do único homem que amou, e que dizia que a amava também, mas que escolhera casar com outra para cumprir a palavra dada há muitos anos atrás, quando ainda não existiam um para o outro – desculpara-se ele, naquela carta. Juntou-lhe um fio de ouro com um retrato, jurou-lhe amor eterno e exclusiva dedicação, quando a outra o dispensasse das obrigações familiares. Julgava ele que ela iria contentar-se com as suas migalhas de afecto e atenção?
Ela sentiu-se traída, perdida, vazia.
Tomou uma decisão: merecia mais, melhor. Menos do que ser tudo na vida de alguém era ser pouco, muito pouco. Nada.
Não se despediu de ninguém e ninguém deu pela sua falta.

14:26

Estado de Espírito

Publicada por Arisca |

Foto: http://www.flickr.com/photos/conie_bravo/3501542613/in/set-72157612568766916/

Tenho sempre uma citação para tudo - economizo os pensamentos originais - Dorothy Sayers


23:38

Esta noite quero dormir nos braços de Morfeu

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13:01

Alegria no Trabalho

Publicada por Arisca |


Continuo às voltas como o sono... Deitei-me relativamente cedo (por volta da meia-noite), adormeci logo, mas os sonhos não me deixaram descansar. Não sei dizer quantas vezes acordei durante a noite, mas foram muitas. De manhã, não me lembro de ter ouvido os despertadores (uso dois), mas desliguei-os, acendi a luz, e voltei-me para o outro lado...
Resultado: acordei às 7:30 e começo as aulas às 8:00! Telefonei a uma colega, pedi-lhe que avisasse os alunos, "fingi" que tomei duche (desconfio que o gel de banho não chegou a todo o lado), bebi um copo de água, atirei um pacote de leite para dentro da mala e saí de casa às 7:55. No fim da rua, uma surpresa: trânsito parado! E eu que já tinha tirado as asas para levantar voo... Pode ser que seja só até ao semáforo, pensei. Não era. Tive tempo para beber o meu pacote de leite, fumar um cigarro, telefonar a uma aluna e dizer-lhe que exercícios deviam ir fazendo até eu chegar...

Já passavam das 8:30 quando entrei na sala. Todos muito concentrados a trabalhar... Devo dizer que são todos adultos estrangeiros e estão a aprender Português há 2 semanas. Desfiz-me em desculpas e a resposta veio em coro "Não faz mal". A aula começou com uma gargalhada. Umas horas depois, alguém perguntou o que significava "acordar". Resposta, com muita mímica à mistura: "Parar de dormir. Por exemplo: estamos a dormir, o despertador toca (pi pi pi pi pi - para explicar o que é o "despertador") e nós acordamos". Satisfeita com a minha resposta, que julgava simples e concisa, preparava-me para continuar a aula, quando fui interrompida: "Depende. Hoje o despertador toca (ainda não aprenderam os verbos no passado), mas a professora não acorda" - nova gargalhada! Ganhei o dia. Assim, vale a pena!

14:16

Estado de Espírito

Publicada por Arisca |

Contento-me com pouco, mas desejo muito - Miguel Cervantes

01:40

Passageiros da noite

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Foto: http://www.flickr.com/photos/divwerf/43696564

Gosto do silêncio da noite.
Daquele momento em que todos dormem e as sombras ganham vida.
Gosto de olhar pela janela para a quietude da rua. Os gatos que revolvem os caixotes do lixo, uma folha de jornal que voa com o vento, uma luz que se acende na janela em frente. Passa um carro. Outro. Ouço vozes inflamadas, quem sabe se pelo calor do álcool, que me chegam de longe. A luz da janela em frente apaga-se. Aproxima-se um carro. Pára num lugar vazio, em cima do passeio. Sai primeiro uma mulher, depois um homem, ela espera por ele. Ela aperta os botões do casaco e descem a rua abraçados, que a noite está fria.
Passos incertos no alcatrão. Não consigo ver quem vem lá. O polícia que trabalha até tarde e chega a casa, aos braços da mulher, a cheirar a whisky e cigarros? O motorista de táxi que leva a casa uma família depois de uma visita às urgências de um qualquer hospital? A assistente de bordo, da TAP, que chegou mais cedo de uma viagem, de longo curso, e que quer fazer uma surpresa ao namorado, mas a surpreendida é ela que o encontra em repouso dos braços de outra mulher? A mulher-a-dias que trabalha dias e noites, à noite num centro comercial, dos subúrbios da cidade, de dia na casa de uma respeitável família, de classe média, que nunca lhe paga a tempo e a horas? (Ah, D. Teresa, desculpe falar nisso, mas tenho de comprar o passe e meu homem, coitado, ainda não recebeu…). O senhor engenheiro, sempre de fato e gravata, engomando e penteado, que saiu com os colegas lá do trabalho? (É só um jantar, querida, um copo, talvez…).
Os passos aproximam-se.
Agora sim, consigo ver. É só uma sombra de homem, de cerveja na mão, que tropeça em si mesmo, não consegue andar a direito, e que à sua espera, em casa, tem apenas paredes, depois de um jantar e de um copo, talvez.

13:33

Message in a bottle

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Gosto de receber cartas. Cartas verdadeiras, escritas à mão, com a caneta a esculpir letras na folha de papel. Gosto de tocar no papel, sentir-lhe as irregularidades e o cheiro.
Não consigo controlar o impulso de divagar sobre o momento em que foi escrita. Onde? Em que momento do dia? No silêncio da noite ou apressadamente enquanto o jantar apurava ao lume?
Objecto de reflexão ou espontânea? Como se sentia a pessoa que a escreveu, em que pensava? O que me queria dizer e não teve coragem?
A escrita. Cuidada? Firme? Vacilante?
A pontuação. Dúvidas, afirmações, insinuações, surpresas.
A letra. Dificilmente posso dizer que conheço alguém sem que conheça a forma como desenha as letras.

Hoje não recebi uma carta. Recebi uma sms: "td bem? tou em lx keres jantar hj noite?" Resposta: "Hoje não posso. Tenho o jantar a apurar ao lume!"

00:00

Uma noite descansada

Publicada por Arisca |

Foto: http://www.flickr.com/photos/berylbyrd/3631706724/


Ando a dormir pouco. E mal!
Nunca gostei de me deitar cedo e agora sofro na pele as consequências deste hábito.
Deito-me tarde, o meu sono de 4 ou 5 horas por noite é agitado, ando cansada…
De manhã, arrasto-me literalmente de olhos praticamente fechados até à banheira e durante a primeira meia hora vagueio pela casa como se estivesse a ser atacada por um ataque de sonambulismo.
Mas esta noite vai ser diferente: vou beber um copo de leite morno, deitar-me cedo e aninhar-me no conforto da minha cama.

16:27

Dificuldades de Comunicação

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Tive de remodelar o aspecto do blog...
O outro cenário era bem mais bonito, mas ontem recebi uma mensagem da S* (http://asminhaspequenascoisas.blogspot.com/) avisando-me que não era possível deixar comentários às minhas mensagens. Depois de muitas voltas dar, percebi que o problema estava no modelo que tinha escolhido. A única solução era... escolher um novo cenário!
Agora já não há desculpa para não ir recebendo umas palavrinhas de vez em quando :)
P.S. Muito obrigada, s*

20:55

Esta noite

Publicada por Arisca |


Esta noite vai ser assim.
Um banho de imersão ao som de Cat Power. A única luz que por aqui se verá será a das velas que tenho espalhadas pela casa. Queijo de Serpa, um copo de um bom vinho tinto. Um livro. E eu.
O mundo inteiro vai ficar lá fora. Na porta, o aviso:"Do not disturb"

13:31

O dia seguinte

Publicada por Arisca |




Paixão. Desejo. Sentes cada emoção na ponta dos dedos. O toque, o cheiro, um olhar que te toca a alma.
A partilha dos corpos, a respiração que se acelera.
Controlas as expectativas em relação ao futuro, sem demasiadas ilusões de sonhos cor-de-rosa. Apenas queres viver aquele abraço com o corpo todo.
No dia seguinte, um sabor amargo na boca. A ressaca após uma noite de embriaguez dos sentidos.
Uma música que te invade a mente e que teima em te recordar aquilo que já adivinhavas.

Linda Perry - Fill me up

Wake me up when
The partys over
It seems
I've had too much wine
Please remember
To remind me
If I had a good time
Was I friendly?
Or was I bragging?
And did I start to bore you?
Was I charming?
Or was I absent?
Did I even say goodnight?

Foto: http://www.flickr.com/photos/8793530@N03/2932452834/


Eu sei que é feio ouvir as conversas dos outros, mas não resisti e tenho de contar isto a alguém!
A conversa que se segue é da exclusiva responsabilidade dos intervenientes.
Aviso, contudo, que os imensos palavrões proferidos foram substituídos por expressões cujo significado se assemelha (identificadas a itálico) por razões que se prendem com a minha assumida incapacidade de os reproduzir.

Numa esplanada, 4 jovens com idades que rondariam os 20 anos...

ela1 - F** Apre, porque é que um homem que vai para a cama com muitas gajas é um machão e uma mulher que vai para a cama com muitos gajos é uma p** meretriz?
(risos)
ele1 – Desculpa lá, eu acho que é igual!
ele2 - Vais-me dizer que namoravas com uma gaja que já f** copulou com meio mundo?
ele1 - Eu não disse isso.
ele2 - Disseste que era igual!
ele1 - Não falei em namorar.
ela1 - Ah, não namoravas com ela mas eras capaz de a comer.
(gargalhada)
ele1 - Se ela fosse boa!
(gargalhada)
Ela1 - F** Bolas, os homens são uns porcos. Tudo o que lhes passa à frente, marcha.
ele1 -Deixa-te de m** coisas. Não são todos iguais.
ela1- Sim, mas tu ias para a cama com uma gaja só porque ela te abria as pernas. E a *****?
(imagino que seja a namorada de ele1)
ele1 - Oh pá, sei lá se f** fornicava com ela ou não!
ele2 - A ***** não precisava de saber. Se fosse só uma cambalhota...
(risos)
ela2 - E arriscavas um namoro de 3 anos com a ***** por causa de uma queca! F** Chiça, pá!
ele2 - Vais dizer que nunca puseste os cornos ao *****?
(o namorado de ela2?)
ela2 - Mas eu não namoro com ele. Quando nos apetece damos uma, mas não temos compromissos.
ela1 - E ela também não f** tem relações sexuais com o primeiro que lhe aparece.
ele2- Ah pois não...
ela2 - C** Bolas, ainda na última festa do Técnico conheci um gajo, estivemos juntos, e não fomos para a cama!
(risos)
ele2- Não me digas que estiveram no esfreganço a noite toda e ele não te comeu! F** caramba!
(risos)
ele 2 - Tinhas-me dito que eu dava-te a chave do carro e davam uma queca...
(risos)
ela2 -Foram só uns beijos. Isso não é trair.
ele1- Como é que podes trair o ***** se vocês não andam?
ela 2 - Eh pá, não me f** lixes! Mesmo que andássemos.
ela 1- Olha, eu é que ando cá com uma fominha... Há quase um mês que não há nada para ninguém.
ela 2 - Coitadinha!!!
(risos)
ela 2 - Olha lá, tens aí os apontamentos da última aula? É que eu não percebo um c** boi desta matéria.

Nota da redacção: é possível que eles tenham continuado a conversa sobre quem come quem mais tarde, mas levantei-me e fui-me embora. Demasiada informação!

16:42

Para onde voou o Outono?

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foto: http://www.flickr.com/photos/26331503@N08/4003996843/in/pool-skies/


Estou farta deste tempo! Para quando o verdadeiro Outono? Uma trovoada não está nos planos mais próximos de S. Pedro? E se eu lhe acendesse uma velinha...?

20:38

Regresso às aulas

Publicada por Arisca |



foto: http://www.flickr.com/photos/nevara-sk/3560275589/

Hoje voltei ao trabalho. Depois de três meses de trabalho intenso e intensivo, soube-me muito bem uma semana e meia de descanso.
É engraçado: sou professora há dez anos e ainda sinto uma certa ansiedade antes de entrar na sala de aulas. Depois das apresentações, vem o entusiasmo em catadupa e o difícil é conseguir controlá-lo.
Hoje não foi excepção! Alunos de muitas nacionalidades: finlandeses, suecos, polacos, americanos, belgas, espanhóis, franceses, um israelita (pela primeira vez), indianos... Há de tudo. Mas a melhor parte é conseguir entusiasmá-los e senti-los tão envolvidos quanto eu. As horas passam a correr (e são 4 horas por dia, 4 dias por semana). O ponto alto é ouvir, quando a aula acaba, "obrigado/a". Assim, vale a pena!

21:02

Início de Conversa

Publicada por Arisca |

Gosto de coisas simples.
De beber um café numa esplanada, de ler um bom livro, de ver um filme que me provoque emoções.
Gosto de uma boa conversa, de pessoas que pensam pela própria cabeça, que sabem defender opiniões e pontos de vista.
Gosto do silêncio. Nem sempre gosto da solidão.
Sou sonhadora e melancólica por natureza. Racional por convicção.
E tenho um vício: tentar compreender as coisas deste mundo.

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