Delírios e Devaneios

Conversas no sofá vermelho...

16:49

Procura-se! (Urgente)

Publicada por Arisca |


Nestes dias de frio, vento e chuva, dou por mim a sentir-me sozinha, carente. A verdade é esta: quero arranjar um namorado!
Há uns dias, em conversa com o A., amigo e confidente de todas as horas, ele arriscou uma sugestão: põe um anúncio! Eu ri-me, brinquei, respondi-lhe que era doido, e expliquei-lhe que nunca faria tal coisa! Um anúncio... humpf!

Procura-se!
Procura-se rapaz sério (que isto não é assunto para brincadeiras), bem intencionado (seja lá isso o que for…), educado e distinto, que não diga palavrões nem cuspa para o chão, simpático e de trato fácil (para arisca basto eu), dotado de paciência infinita (para me aturar), com casa e carro próprios (não há cá misturas, cada um no seu canto que assim é que é bonito), que saiba ler e escrever sem muitos erros ortográficos e gramaticais (nada menos romântico do que uma carta de amor com mais sublinhados a vermelho do que um ditado da 3ª classe), que seja carinhoso, atencioso e dedicado (mas sem ser possessivo nem peganhento), entre os 35 e os 45 anos (maduro, portanto) mas em bom estado de conservação, que já tenha sido casado (se, com essa idade nunca se casou, é porque tem defeito) e, de preferência, com filhos já criados (trabalho adiantado).

Condições preferenciais:
Que saiba dançar (ao som de Glenn Miller e Frank Sinatra, por exemplo), que saiba cozinhar, lavar, limpar e engomar, que toque piano, violino ou gaita-de-foles, e que fale francês (porque, quando me surpreender com uma viagem a Paris, não vou fazer figurinhas tristes com o meu francês macarrónico).

Se preenche todos requisitos, envie o CV da sua vida amorosa (com fotografia tipo-passe actualizada), carta(s) de recomendação da(s) ex-companheira(s) com os respectivos contactos para confirmação das declarações prestadas e uma declaração da Segurança Social e outra da Direcção Geral de Contribuições e Impostos que comprove que tem a sua situação contributiva regularizada (não quero cá caloteiros).

P.S. Reli agora o texto e vi que me tinha esquecido de uma informação importante. Não são só exigências…

Oferece-se:
Nada! O amor deverá ser completamente desinteressado e incondicional!

20:44

Os saldos já chegaram

Publicada por Arisca |


Algumas sugestões para os amantes de livros :

- na Livraria Buchholz: na Rua Duque de Palmela nº 4, a partir de 1 de Dezembro, liquidação total de stock. Pode ler mais aqui
- na Biblioteca Nacional: de 25 a 27 de Novembro, no átrio principal, entre as 9h30 e as 19h. Mais informações ali
- na Fnac: "Pague 3, leve 4" (oferta do livro de valor inferior). Para consultar a lista de títulos disponíveis nesta campanha da Leya, pode clicar aqui

Outra possibilidade é visitar feiras de livros manuseados.
Consigo comprar livros inteiros, com as páginas todas, com uma apresentação aceitável, mas muito mais baratos! E estou a falar livros de autores como Marguerite Yourcenar, Marguerite Duras, Umberto Eco, Isabel Allende, Collen McCullough, Hermann Hesse, Susan Sontag, Gonzalo Torrente Ballester, Manuel Vázquez Montalbán... Basta procurar bem.
*Boas compras e ainda melhores leituras

19:16

Boop-Oop-A-Doop

Publicada por Arisca |




Quem o disse foi a Maria Teresa, dos Beijinhos Embrulhados.
Se a Maria Teresa o diz é porque é verdade! :)


Muito obrigada!
Um beijinho
Fiquei tão surpreendida com este miminho que nem referi alguns dos blogs mais sexy que vou lendo por aqui... E são eles:
Há-des ver dá-des (até me custa escrever... lol)

17:26

Mais uma conversa sobre livros

Publicada por Arisca |

Livros cá de casa

Amanhã há mais uma conversa à volta dos livros. Desta vez o tema é Livrarias de ontem, Livrarias de hoje, Livrarias de sempre. Presentes vão estar Ernesto Damião – das livrarias Bertrand, Catarina Barros – da livraria Trama (de Lisboa) e Joaquim Gonçalves – livraria A das Artes (de Sines).
Amanhã, às 18:30, no auditório da Sociedade Portuguesa de Autores (Avenida Duque de Loulé, 31, Lisboa). Lá estarei!

15:12

Segunda oportunidade

Publicada por Arisca |


O Pedro Viegas, do 1000 conversas, desafiou-me a fazer 5 revelações sobre mim. Eu fiz as minhas 5 primeiras relevações há pouco tempo mas, como não sou pessoa de virar as costas a um bom desafio, resolvi aceitar.

Eu já... vou na minha segunda vida.
2003 foi um ano muito complicado: estava a fazer mestrado, descobri que tinha um tumor (acabou por se revelar benigno e até hoje tem estado a correr tudo bem, embora o tenha sempre "debaixo de olho"), profissionalmente as coisas não estavam a correr muito bem e foi também o ano em que me separei do meu ex-marido. A pressão vinha de todos os lados e não sabia para onde me virar. Mudei de casa, não conhecia ninguém no lugar para onde fui morar, as preocupações com dinheiro não me davam descanso, não conseguia concentrar-me no mestrado, e a solidão e uma sensação de profundo desajuste acabaram por ser mais fortes do que aquilo que eu podia suportar naquela altura.
Comecei a ser acompanhada por um psiquiatra, mas a depressão já era profunda. A relação médico-paciente não era a melhor. Eu pagava para estar uma hora a chorar no consultório, ele olhava para mim, eu tentava explicar-lhe a minha angústia, ele não respondia. Escrevia, pousava a caneta, olhava para mim, e eu chorava. A medicação era forte, mas eu precisava mesmo de um "milagre". E o milagre não acontecia. Claro que tinha amigos (os mesmos que tenho hoje) e uma família que me dava todo o apoio que podia (e sabia) dar. Mas "eu" era o problema. Não me perdoava os fracassos e apontava-me como culpada. Sim, porque eu é que andava insatisfeita, eu tinha saído de casa, eu é que não me contentava com a vida que tinha tido até aí. Escondia os problemas e escondia-me de todos. Fazia das tripas coração, mas ia trabalhar como se estivesse tudo bem.
Foram dias de uma profunda solidão. Dias em que olhava para a frente e não via nada. Era como ter chegado ao fim do caminho, ter um muro intransponível à frente e não poder voltar para trás.
Na altura, começou a ganhar forma a ideia de suicídio. Uma ideia que estava presente há muitos anos, mas que agora já não era só uma ideia. Era um plano. Não era a solução para nada. Era o ponto final. Era a palavra "fim" que vemos quando acaba um filme. Aquele filme já não era o meu. Não era a protagonista da vida que vivia. Era figurante. Era marioneta.
Coleccionei todos os antidepressivos e ansiolíticos que consegui. Foram muitos. Não foram os suficientes. A minha morte foi uma decisão pessoal, não podia envolver outras pessoas. Se calhar, foi o que me salvou.
Queria um método eficaz e ponderei recorrer à arma do meu pai (ele é caçador), mas isso seria condená-lo a um sentimento eterno de culpa. Além disso, não podia ser em casa dos meus pais (não queria sujeitá-los a isso) e transportar uma caçadeira nos transportes públicos não era a minha ideia de discrição. No metro, na linha de um comboio, também não me pareceu a melhor solução. Eu não queria testemunhas. Não queria que a imagem atormentasse o sono de ninguém.
Em meados de Julho surgiu a oportunidade que me pareceu perfeita: os meus pais iam passar um fim-de-semana fora, a minha irmã também estava fora de Lisboa, e eu podia finalmente morrer calmamente em casa, sem ser surpreendida com uma visita surpresa de ninguém.
Deixei tudo organizado: o número das contas no banco, os cartões com os respectivos códigos, o cheque da renda da casa assinado, a indicação do nome e contacto de uma colega a quem deviam telefonar na segunda-feira, a indicação de uma pessoa que me podia substituir nas aulas, e o destino a dar aos meus livros.
Tirei todos os comprimidos das caixas, escondi-as, levei uma garrafa de água para o quarto, tomei tudo o que havia para tomar. Deitei-me.
E na manhã seguinte, acordei. Não conseguia estar de pé, mas estava relativamente lúcida. Telefonei a uma pessoa que já tinha feito uma tentativa de suicídio há muitos anos e pedi-lhe desesperadamente que me ajudasse a morrer. Nem isso tinha conseguido fazer sozinha.
Claro que ela me prometeu ajuda, mas não me fez a vontade. Desse dia (e dos dias seguintes) só me recordo de episódios isolados. Lembro-me de ser transferida para o Curry Cabral (o hospital onde havia urgências psiquiátricas), da conversa que tive com o médico que me recebeu (e que hoje continua a ser o psiquiatra que me acompanha), e de muito tempo depois estar já internada no Miguel Bombarda. Sei, por conversas posteriores, que a transferência aconteceu 2 ou 3 dias mais tarde.
Estive internada cerca de 3 semanas. Tenho falhas de memória em relação a muitas coisas que aconteceram durante esse tempo. Descobri na semana passada, por exemplo, que uma grande amiga me tinha ido lá visitar. Contou-me que estivemos a conversar numa sala durante todo o tempo permitido para visitas. Eu não me lembro. De nada.
Mas lembro-me de outras coisas: de ter estado presa à cama durante as duas primeiras noites, de acordar cedo e estarmos em fila indiana à espera da nossa vez para tomarmos banho, de bebermos o leite, de manhã, numa chávena de esmalte, do frio que me gelava até à alma, e do vazio. Não sentia nada. Estava oca, vazia, e pela primeira vez em muitos meses, não tinha lágrimas. Já não chorava.
Lembro-me também de uma senhora, muito velhinha, a quem descascava sempre uma laranja depois do almoço. Lembro-me da história dela. Contei-lhe parte da minha. Lembro-me que me perguntou "se tinha marido". "Estou separada". "Ah, foi deslargada".
Lembro-me dos gritos dilacerantes de quem chegava a meio da noite. Da solidariedade das dores partilhadas. Do medo de sair dali. E de me sentir completamente alheada, perdida, no dia em que saí do hospital.
Aprendi depois, com muita psicoterapia, a perdoar-me por não ser perfeita. Aprendi a lidar com a minha morte. E aprendi que esse fantasma é caprichoso, vem quando quer e nem sempre responde ao nosso chamamento.
Voltei a ter dois episódios graves de depressão, mas aprendi a reconhecê-la e já sabia o que fazer. A psicoterapia ensinou-me que não sou "louca". Nem "fraca". Dizem-me que tenho um desajuste químico. Prefiro pensar que tenho uma certa tendência para a "melancolia".
Agora acho que se compreende melhor a minha resposta ao primeiro desafio: "Eu já… tive a sorte de ser tocada pela mão do milagre chamado “esperança”" .

20:20

Acto de Contrição - veredicto final

Publicada por Arisca |



O meu post anterior, Acto de Contrição, era um mero exercício de despersonalização: partindo de um desafio da Fábrica de Letras, escrever um texto subordinado ao tema "Preto & Branco". Pensei na forma, uma carta, num tema sobre o qual quase todos temos uma opinião formada e tentar apresentar as duas faces da moeda. O grande desafio, para mim, era afastar-me das minhas convicções pessoais e vestir a pele de alguém com quem nada tenho em comum.
A minha grande surpresa foi ler comentários tão diferentes sobre "o bom","o mau" e o veredicto final.
Li, reli, pensei e cheguei à conclusão que "era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto"...
A minha primeira impressão é que continuamos à procura de culpados. Precisamos de atribuir culpas e de condenar alguém. "Ele" porque traiu e quebrou irremediavelmente os laços de confiança e lealdade. "Ela" porque descurou a relação, porque se ocupou de tudo e de todos menos "dele". "O ambiente envolvente" por causa do ritmo alucinante que nos impõe no dia-a-dia. "A outra", curiosamente - ou não -, não foi mencionada por ninguém. Em muitas histórias semelhantes, a terceira pessoa é o bode expiatório mas, neste caso particular, saiu ilibada.
Este é o cenário de um verdadeiro julgamento (de valores) onde não faltam factos nem argumentos.

Reparei que precisamos de determinar quem é o mau da fita. Para quê? Para lhe colarmos na testa o rótulo de "pecador" e ao outro o de "inocente"?
Aí é que está a grande questão: ainda não nos libertámos das noções de culpa e pecado. Eventualmente, de perdão.
O que é que eu faria se estivesse no lugar d'Ela? Não faço ideia!
Há 10 anos atrás, teria respondido com toda a convicção (e imaturidade) da visão cor-de-rosa que, aos 20 anos, tinha dos afectos: batia com a porta. Teoricamente. Mas teoricamente seria também incapaz de trair.
Hoje, com muito menos certezas, mas com mais alguma experiência de vida, afirmo que os afectos são analfabetos e, como tal, não sabem ler contratos. Além disso, cada vez acredito mais que a primeira pessoa a quem devemos lealdade é a nós mesmos. Depois, é preciso assumirmos a responsabilidade das nossas escolhas e aprendermos a viver a intimidade sem preconceitos nem falsos moralismos.
*Bons ventos,
Arisca

18:59

Acto de Contrição

Publicada por Arisca |



Foto: http://www.flickr.com/photos/photable/3706090905/

Minha querida,

por favor, ouve-me! Escuta o que tenho para te dizer!
Eu sei que estamos a atravessar um momento difícil, mas não acredito que seja o fim. Uma história como a nossa não pode acabar assim. Bem sei que tens os teus motivos para não me quereres ver mais à frente. Admito que nem sempre fui um bom companheiro e compreendo agora o quanto te magoei, mas estou arrependido. Eu estava cego, cego de paixão, mas nem por um momento me passou pela cabeça fazer-te sofrer. Foi um impulso, um deslize, uma aventura sem consequências. Não significou nada para mim!
Tu sempre me incentivaste a manter as amizades, aceitavas sem desconfianças as minhas saídas com os rapazes, defendias que era saudável termos o nosso espaço sem andarmos sempre colados um ao outro. Deixei-me levar e hoje carrego o peso da culpa pelas noites em que te deixei sozinha. Confiavas em mim, mesmo quando eu não merecia...
Por favor, perdoa!
Tu sempre foste uma mulher inteligente, muito mais astuta do que eu, nunca te passou pela cabeça que isto nos pudesse acontecer? Julgavas, por acaso, que estávamos a salvo das tentações da vida? Ou estavas tão confiante, tão cheia de ti mesma, que não vias os sinais? Não vias mesmo, eu preferias fingir e fugir ao confronto? Como é que não te apercebeste de que estávamos cada vez mais afastados?
E todos aqueles fins-de-semana fora nos últimos dois anos? Como é que nunca desconfiaste? Estarias, também tu, distraída com alguém?...

Desculpa! Desculpa, meu amor! Não queria lançar sobre ti essa desconfiança! Este sofrimento não me permite pensar com clareza!

Claro que não viste o perigo aproximar-se! É óbvio!

Certamente andavas demasiado ocupada, com trinta mil coisas na cabeça... Sempre a pensar no trabalho, nos miúdos, na casa. De manhã à noite, sempre a correr de um lado para o outro. E eu, esquecido, carente da tua atenção e dos teus cuidados...
Quando me senti novamente desejado, fiquei inebriado com a sensação. E tu, sem dares por nada. Demasiado envolvida em tudo o resto, descuravas a nossa relação.
Como vês, a culpa não foi só minha. A culpa nunca é só de um…

Agora, que te expliquei os meus motivos, espero que reconsideres e me aceites de volta, na nossa casa, junto dos nossos filhos. É aí o meu lugar.
Na vida, nem tudo é preto ou branco e, por vezes, temos de nos afastar um pouco para podermos olhar para as situações e descobrir nelas as outras cores.
Sei que me vais perdoar

Um beijo daquele que muito te adora

13:46

Quarto sem vista sobre a cidade

Publicada por Arisca |


Foto: vista da janela do meu escritório

A Maria Teresa, dos Beijinhos Embrulhados, escreveu um texto delicioso sobre o que vê da janela do seu quarto. Comecei por escrever um comentário, descrevendo "a minha visão do mundo", mas dei por mim com demasiadas coisas para dizer.

Da janela do meu quarto vejo as estrelas e, de vez em quando, a lua. Às vezes vejo o céu azul. Outras, cinzento. Se me chegar mais perto, vejo telhados de outras casas. Em dias de trovoada, vejo os relâmpagos que cortam o céu.
E ouço... Ouço tanto da janela do meu quarto! Ouço o vento, os trovões, a chuva a bater nas telhas, os passarinhos, na Primavera - às vezes, entram-me no quarto sem serem convidados...
Vejo e ouço tantas coisas porque moro num sótão, uma casinha de bonecas, cuja única divisão que não tem a janela no tecto é o escritório.

18:57

Desabafo

Publicada por Arisca |


Se te disserem que só penso em mim, que sou egoísta, não acredites. Acontece é que nem sempre tenho paciência para fingir que me interesso pelos problemas dos outros.
Se ouvires dizer que sou arrogante, não dês crédito. Estou é farta de gente que adora ouvir-se a si mesma, mas que ainda não aprendeu a escutar os outros.
Há dias em que não tenho nada para dizer. Nesses momentos, prefiro ficar calada.

17:05

Um caso perdido

Publicada por Arisca |


Tenho um grave problema.
Muito grave. Mesmo.
No espaço de 10 dias comprei 10 livros. Não, não andei nas compras de Natal... São todos para mim!
No dia em que fui à tertúlia no Chiado sobre livros fenómeno, comprei Os Detectives Selvagens, de Roberto Bolaño.
Dois dias depois, fui à Fnac e não resisti à promoção "Compre 4, pague 3". Saí de lá com Os Anagramas de Varsóvia (gosto muito dos livros de Richard Zimler), A Vida em Surdina, de David Lodge, Indignação, de Philip Roth, e A Terceira Condição, de Amos Oz.
Na sexta-feira tive de voltar à Fnac, sob o pretexto de trocar um DVD que me tinham oferecido e... Conversa na Catedral, de Vargas Llosa, A Montanha Mágica, de Thomas Mann, A Feiticeira de Florença, de Salman Rushde, e Nostromo, de Joseph Conrad, saltaram-me para o colo sem que eu desse por isso. Não satisfeita, não resisti ao olhar sedutor de 2666, de Bolaño, e trouxe-o comigo também!
Eu leio muito, mas o meu ritmo de leitura não consegue acompanhar a velocidade vertiginosa da compra de livros... E sei que, se lesse apenas os que tenho em casa, em lista de espera, podia estar 4 ou 5 anos sem entrar numa livraria (talvez mais...).
Eu sei que isto é consumismo puro. Um vício. Uma doença.
Alguém conhece a cura?

Ps: Cortar-me a "mesada" não resulta: provavelmente vendia a televisão, a torradeira e o microondas... E, se preciso fosse, acho que vendia também a alma ao diabo...

22:10

Ainda

Publicada por Arisca |

Foto: JML
Ainda me lembro do dia em que vi este painel, numa escola primária perdida no Alentejo.
Fiquei arrepiada. Ainda fico.
É um daqueles momentos que fazem parte de mim e que não quero nunca apagar.

21:12

Hoje não!

Publicada por Arisca |

Foto: http://www.flickr.com/photos/jsome1/3003410561/in/photostream/


Desenganem-se se pensam que vou ceder à tentação de falar sobre o S. Martinho de outros tempos.
Não vou falar de castanhas assadas, nem de jeropiga, nem de água (de lavar o) pé.
Não vou falar da senhora que vende castanhas assadas. A mesma pessoa que carrega o peso do frio nos ossos e que na pele das mãos tem cravadas as marcas da sua pena.
Não vou perder-me na descrição da mistura de cheiros das castanhas a assar no carvão. Nem das mãos enfarruscadas pela cinza. Nem da sensação de trincar aquele fruto carnudo, macio, sabiamente temperado com umas pedrinhas de sal. O mesmo sal que que estala quando toca nas brasas, como se festejasse com fogo de artifício o tão esperado encontro.

Hoje, não!
Se querem ler sobre castanhas assadas, deixo-vos a sugestão de um texto que escrevi noutra vida, noutro tempo. No tempo em que escrevia A Tinta Permanente .

17:10

E se... um dia lhe oferecessem flores?

Publicada por Arisca |




O desafio foi lançado pela JS e destinava-se aos 5 últimos seguidores (naquela data) do blog Falamos depois sff.

Para participar no desafio é preciso:

1º Seguir as regras;
2° Levar o selo acima que identifica quem está, esteve ou estará no desafio.
3º Completar as seguintes frases:

a) Eu já ...
b) Eu nunca …
c) Eu sei ...
d) Eu quero …
e) Eu sonho …

4º Depois de completar a frase com suas respostas indique 5 blogs para dar sequência ao desafio.

Estas são as minhas respostas:

a) Eu já… tive a sorte de ser tocada pela mão do milagre chamado “esperança” ;
b) Eu nunca… consegui apagar da minha vida pessoas que fizeram parte dela ;
c) Eu sei… o que não quero para mim;
d) Eu quero… ter sempre tempo e disponibilidade mental para mim e para aqueles de quem gosto;
e) Eu sonho… sempre. Principalmente quando estou acordada.

E o desafio segue para:
Maria Teresa - dos Beijinhos Embrulhados
Gata Escaldada
Margarida - de O Mundo de Margarida
S*- de As Minhas Pequenas Coisas
Diana - de In Pensatempos

Bons Ventos!

22:02

Mensagem interdita a menores de 30 anos

Publicada por Arisca |


Foto: http://media.photobucket.com/image/Papu%20e%20os%20amigos/melline/Papu2.jpg

Ando em maré de memórias e recordações.
Nada a fazer.
Já tomei um comprimido (uma Pintarola, que no meu tempo não havia Smarties), já bebi um Caprisone e até experimentei uma Bomboca (só há esta; é para mim).
Nada resultou...
Rendo-me à minha condição.
Hoje lembrei-me disto: do livro em que aprendi a ler e a escrever. "Papu e os Amigos". Lembro-me também dos "Novos Amigos", do "Tico-Tico não dá erros", da "Pitucha", do "Quadro Mágico"... Mas nenhum como o Papu!
Foi há muitos, muitos anos. No tempo em que não havia "Estudo do Meio". Havia "Meio físico e Social".
Havia cadernos com capa de plástico.
Lápis com a tabuada.
A Tabuada do Ratinho.
Os pacotinhos de leite com chocolate que eram distribuídos a todos os meninos (do filho do médico e ao menino cujos pais não sabiam ler). Pacotinhos de leite com chocolate que púnhamos em cima de um aquecedor, no Inverno.
Os meninos tinham piolhos e as mães punham-lhes Quitoso (loção e champô).
Lavávamos o cabelo com champô Foz, com cheiro a maçãs verdes, e a cara com sabonete Feno de Portugal. Ou com sabonete Lux.
No intervalo, comíamos o lanche que levávamos de casa. Pão com manteiga ou com Tulicreme.
Havia uma senhora que ia ao pátio da escola vender bolos, que transportava numa caixa de plástico equilibrada em cima da cabeça, a 25 $00.
Usávamos gabardinas de plástico e galochas.
A única marca de roupa que conhecíamos era a Kispo.
No tempo em que não havia Canal Panda, víamos "As Fábulas da Floresta Verde", "Banna e Flapi", "O Babar", "O Ursinho Misha", "David - o gnomo", "Jacky- o urso de Talacc", "As Misteriosas Cidades de Ouro", "Era uma Vez...", "A Volta ao Mundo em 80 dias", "Tom Sawyer", “O País dos Rodinhas”, “Os Amigos de Gaspar”, “A Árvore dos Patafúrdios”... E ouvíamos com toda a atenção o que nos dizia o nosso querido Vasco Granja.
Lembro-me das “sessões de cinema” – invariavelmente “A Pantera Cor-de-Rosa” - que o marido da professora Felizmina organizava ao sábado de manhã porque… apenas porque sim! Nem era professor naquela escola!
À hora de dormir, “Os Amigos do Sono”, “Os Meninos Rabinos”, “O Topo Gigio”, “O Vitinho”...
A ordem não será bem esta, mas as recordações chegam-me em catadupa.

Hoje lembrei-me também das professoras (minhas e dos outros) da nossa escola primária - no tempo em que não havia primeiro ciclo. A professora Lurdes, a professora Felizmina, a professora Georgina, a professora Rosa, a professora Celeste, a professora Durvalina. E aquela que será sempre a "minha" professora - na época tratávamos a professora por "senhora". A "minha senhora": a professora Maria Isabel Marques e Estevinha. A professora que mais me ensinou e a quem um dia gostava muito, muito, de dizer "muito obrigada"!

16:12

Adivinhem o que encontrei...

Publicada por Arisca |


Tive um ataque de saudades e fui à procura deles...

20:05

Best Sellers

Publicada por Arisca |



Tenho uma enorme paixão por livros. Por bons livros. Sim, porque com o tempo tenho vindo a tornar-me mais selectiva nas minhas escolhas.
Mas nem sempre foi assim. Houve alturas em que lia "tudo" o que me passava pelas mãos. (Este era o início de conversa sobre best sellers mas, como poderão constatar mais tarde, ainda não vai desta).
Em miúda, li "Caidé" (António Torrado), "Faísca Conta a sua História" (Ilse Losa), “Valéria e a Vida” (Sidónio Muralha)... O primeiro livro com mais de 200 páginas que li foi "O Regresso de Lassie", de Eric Knight. Um livro que os meus pais me compraram numa feira. Velho, muito velho, de páginas amarelas. Um livro pelo qual me apaixonei ali mesmo, naquela banca de livros velhos e de capas rasgadas (alguns já sem capa), onde os Maias repousavam ao lado da Rosa do Adro (claro que na altura não fazia ideia dos livros que eram). Mas a Lassie... já a tinha visto na televisão a preto e branco (pelo menos na minha televisão), ao lado de Elizabeth Taylor...
Chorava este mundo e o outro com estes livros, mas era tão bom!
Li também tantos e tão bons de Alice Vieira! Ainda hoje os releio e... comovo-me. Alice Vieira é, para mim, uma espécie de professora que nunca tive mas que me ensinou e ensina tanto!
Devorei quase todos os livros da colecção "Os Cinco" (Enid Blyton), os primeiros 22 volumes de "Uma Aventura" e outros, tantos outros.
Foi assim que descobri que na vida tinha de haver sempre livros. Muitos e muito bons livros!

Sobre os best sellers, falamos depois.
É que, quando começo a falar sobre livros, perco-me nas letras e apanho boleia nas palavras.

18:38

Ontem à tarde, no Chiado

Publicada por Arisca |



Ontem à tarde, na Bertrand do Chiado, falou-se de livros fenómeno. Daqueles que agarram os leitores e cuja leitura se torna, para muitos, compulsiva.
Stephenie Meyer, Dan Brown, Stieg Larsson e Roberto Bolaño foram o pretexto desta conversa moderada por Anabela Mota Ribeiro e que teve como participantes convidados José Afonso Furtado, Paulo Ferreira e José Guilherme Carvalho.
Entre outras coisas, fiquei a saber que foi um verdadeiro tormento para José Afonso Furtado ler até ao fim Stephenie Meyer (ainda que a autora se tenha inspirado em "Orgulho e Preconceito" de Jane Austen (???)); que Paulo Ferreira se diverte com a leitura de Dan Brown, mas que estes livros são, na sua opinião, "apenas" objectos de entretenimento; que Stieg Larsson tem uma orientação bastante diferente da dos primeiros e que aborda temas muito mais profundos do que aqueles que saltam à vista numa primeira leitura; que Bolanõ se destaca dos restantes e que, depois de se ler Bolaño, não se é a mesma pessoa - opinião consensual.
Infelizmente, não posso dar uma opinião fundamentada - nunca li Stephenie Meyer, Stieg Larsson nem Roberto Bolaño, de Dan Brown li apenas "O Código da Vinci" (fiquei presa ao enredo e gostei, mas não o suficiente para me sentir tentada a ler os outros livros que foram entretanto publicados). Tenho uma opinião sobre Best Sellers, mas essa é outra conversa...

Em suma: foi uma tertúlia muitíssimo interessante. Um fim de tarde realmente muito bem passado!

21:03

Conversas à volta dos livros

Publicada por Arisca |

http://ler.blogs.sapo.pt/523406.html

Gosto de ler sobre livros. Gosto de falar e de ouvir falar sobre livros. Amanhã, lá estarei.

18:44

Manias

Publicada por Arisca |

Foto: http://www.flickr.com/photos/desireedelgado/4035358065/in/set-72157622642157342/

Todos temos as nossas e eu não sou excepção.

Tenho a mania das arrumações. Tenho de me sentar sempre que quero comer (mesmo que seja uma peça de fruta). Na casa de banho não pode faltar "literatura". Ouço uma "certa" estação de rádio quando vou para o trabalho e outra quando volto. No meu sofá não consigo sentar-me "como as pessoas normais" (as pernas têm de estar esticadas, em cima do sofá). Quando quero oferecer um livro a uma criança, tenho de o ler primeiro. Se não o posso fazer na livraria, compro-o e leio-o em casa (antes de o dar, claro). Não posso comprar presentes com muita antecedência porque não me controlo e ofereço-os sempre antes de tempo (e acabo sempre na véspera, desesperada, à procura de presentes de última hora). Adoro embrulhar presentes, escolher o papel e as fitas ou lacinhos....
Só não continuo a minha longa lista porque depois ficava sem espaço para as pancadas.

Isso mesmo. Pancadas: não consigo dormir com gavetas abertas (portas do armário, nem pensar!). De manhã, lavo os dentes enquanto tomo duche. Quando chego a casa, tenho de ir imediatamente à casa de banho, tenho de descalçar os sapatos e mudar de roupa. Não consigo dormir destapada, nem só com o lençol, mesmo que estejamos no pico do Verão alentejano. Não consigo dormir com ar condicionado ligado (muito menos com ventoinhas ou aquecedores).

Depois, tenho um pancadão. Enorme. Daqueles que não têm explicação possível: tenho pavor de répteis. Particularmente dragões de komodo, crocodilos e... osgas. Dragões e crocodilos, ainda se compreende. Não é que me tenha cruzado com eles alguma vez, mas também não é preciso para saber que não gosto deles. Basta ver um documentário sobre os ditos para se formarem na minha mente cenários que envolvem terror (o meu) e morte (a deles).

Mas osgas...? Osgas! Esse bicho asqueroso que povoa o pior dos meus pesadelos! Isto, quando se mora num sótão, num lugar onde quase todos os vizinhos têm hortas, é problemático. Já tive de saltar de uma janela directamente para as escadas, porque estava uma no corredor, a olhar para mim, e eu não consegui passar por ela.
No último Verão, entrou uma na minha casa e ficou parada, na parede, por cima da porta da rua (que estava aberta), com ar de desafio e olhar ameaçador. Tive de telefonar à minha mãe e ela lá veio salvar-me do monstro. Encontrou-me encolhida, sem conseguir falar, a tremer e com as lágrimas a correr... Um verdadeiro filme de terror.

Esquisita? Eu? Não... Apenas alguém com as suas convicções e emoções à flor da pele!


Foto: http://www.flickr.com/photos/ycon108/69385487/

Não gosto de deixar livros a meio.
Não consigo evitar uma sensação de frustração. Porque não consegui compreendê-lo, mergulhar nele, entusiasmar-me com ele.
Há livros com os quais travei verdadeiras batalhas - a última foi com "Eu hei-de amar uma pedra". Não é teimosia. É que tenho sempre esperança que as palavras se soltem do papel e me prendam à história.
Desta vez, estou quase, quase, vencida pelo cansaço (ou pelo enfado).
Com "As Suspeitas de Mr. Whicher" houve uma atracção imediata quando nos cruzámos. Não costumo ser permeável à designação de best-seller, mas também não excluo nenhum livro da minha lista só porque é um sucesso editorial. Há outros pormenores bem mais importantes - a sinopse, a impressão que resulta do primeiro contacto (o tal "amor à primeira vista" deve ser isto) e, confesso a minha ("pequena") futilidade, a apresentação.
Este tinha tudo isto a seu favor. Comecei a lê-lo, cheia de entusiasmo, mas.... há três semanas que ando com ele às voltas, leio 5 ou 6 páginas e... distraio-me! Leio sem reter nada. Vou passando pelas palavras, pelos parágrafos, e... é isto!
Esta noite vai ser o tudo ou nada! Ou as personagens saltam das páginas e me provocam um arrebatamento da imaginação ou está tudo acabado entre nós!

14:32

Porque hoje é Domingo

Publicada por Arisca |


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Porque hoje é domingo, e o dia está cinzento lá fora, não tenho coragem para tentar sequer pôr o nariz na rua. Bem sei que a temperatura está agradável, não chove, eu não estou mal, não tenho nada que me preocupe particularmente. Mas estou sem energia, apática, dormente, inerte.
Apetece-me ficar quietinha no meu canto, enrolada em mim mesma, a pensar na vida...
Deve ser a famosa "melancolia de Outono", a minha velha amiga, que todos os anos me visita. Este ano chegou mais tarde, mas cá está ela a marcar presença.

Talvez seja só hoje, por ser Domingo.

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