Foto: Susana Tavares - http://www.flickr.com/photos/atelierdosmiudos/3484480472/in/set-72157600110325551/ - Arrependes-te?
- Arrependo.
- Mas não foi um impulso.
- Não. Sabia perfeitamente o que estava a fazer.
- E voltaste a fazê-lo.
- E arrependi-me de cada vez. Só faço o que quero, porque sei que posso sempre arrepender-me depois.
Caros amigos,
Desejo-vos um doce Natal, pleno de paz e ternura.
Bem sei que nos "conhecemos" há pouco tempo, mas não consigo evitar uma certa cumplicidade depois de tantas coisas partilhadas. Porque as palavras são poderosas: têm a força da pedra, quando atiradas, a magia do carinho, quando dadas. Têm o poder de afastar pessoas, de aproximar outras. São quentes como o fogo, frias como o gelo.
Gosto de palavras. E hoje, as palavras que deixo a quem as ler, são de ternura.
Ternura é o "meu" presente. Porque é ternura o que desejo que nunca nos falte.
Um abraço sem rosto, mas muito sentido
*Arisca
Já tenho tudo mais ou menos pronto para o nosso Natal.
É uma das minhas mais queridas recordações de Natal.
Esta é uma música que de vez em quando ainda me assalta a memória, sem pedir licença para se instalar.
Nesses anos, o Natal era menos animado, não havia o entusiasmo de ter toda a família reunida, mas não era um Natal triste. Durante a tarde, a minha irmã e eu ajudávamos a minha mãe na cozinha com os doces enquanto "longe", indiferente à nossa azáfama, passava My Fair Lady, Música no Coração, O Feiticeiro de Oz ou Oliver Twist.
Na noite de Natal víamos sempre Do Céu Caiu uma Estrela. Um filme triste, mas que nos tocava imenso.
É estranho falar de filmes que passavam na televisão? Podia ser, se não fossem vistos em família, se não fossem momentos de partilha e cumplicidade, se estivéssemos em frente da televisão sem nada para dizer.
Podia ser até inquietante. Mas o que eu recordo não é exactamente os filmes (para ser franca, se me lembro das histórias é à força de tantas vezes os ter visto). O que guardei para mim e que recupero da memória é a vivência e as emoções daqueles bocadinhos.
Na quinta-feira foi o último dia de aulas antes das férias e decidi preparar uma aula um bocadinho diferente: cada aluno falou sobre o modo como se celebra o Natal no seu país, os que não celebram Natal falaram sobre a festa mais importante na sua cultura (ou religião), fizemos uma pequena festa onde não faltaram amostras dos doces tradicionais (levei um bolo-rei, filhós e sonhos) e resolvi "surpreendê-los" com um pequeno mimo para cada um: uma caixinha de chocolates Regina (que são dos nossos). Só que a surpreendida fui eu: um cartão de boas-festas com mensagens que me encheram a alma, um colar muito elegante, chocolates e uma echarpe!
(...)
Numa tribo da Nova Guiné, está entendido que as crianças que nascem à terça-feira são inteligentes, solares e vencedoras e, as que nascem à sexta, são estúpidas, falhadas e vencidas. O pior, é que isso acaba por acontecer porque o tratamento que os outros lhes dão é que faz delas escravas ou vencedoras. Eu acho que o Dr. Domingos me tratou como se eu tivesse nascido numa terça-feira, e eu tinha sido tratado como quem nasceu à sexta.
Este é o grande problema: durante anos somos "brindados" com estímulos negativos. Com boas intenções, tentam fortalecer-nos o carácter. Tentam impedir-nos de nos transformarmos em monstros narcisistas, cheios de nós mesmos. Mas acabamos por interiorizar essa mensagem. Duvidamos de nós. Das nossas capacidades. Do nosso valor.
Anos mais tarde, quando (e se) temos a sorte de nos cruzarmos com alguém que veja em nós algum valor, achamos que estão só a ser simpáticos. E não há forma de modificarmos a imagem distorcida que criamos de nós próprios.
É por isso que acho que há coisas que não podemos de dizer, se não as sentirmos. Outras não podem deixar de ser ditas, nos momentos certos.

A Maria Teresa tem-me dado imensos miminhos e este tem um sabor especial... Porque, para o "merecer", tenho de falar sobre livros. Que pena! ;)
As regras são estas:
1º Enumerar 5 livros que gostaria de receber pelo natal
2º Oferecer o selo no mínimo a três blogues
Cinco livros que gostava de receber neste Natal:
1. Ernestina, de J. Rentes de Carvalho;
2. A Consciência de Zeno, de Italo Svevo;
3. O Homem sem Qualidades, de Robert Musil;
4. O Homem Lento, de JM Coetzee;
5. A Volta ao Dia em 80 Mundos, de Julio Cortázar.
Ofereço este selo a...
S*
Gata Escaldada
Margarida
Maria Teresa, um beijinho grande e muito obrigada!
Partilho convosco bocadinhos do que li, sentada naquele banco, sozinha no meio de tantas coisas que aconteciam por ali em simultâneo. Só porque sim.
1.
Eu sou da burguesia da província, onde nasci em pleno reino do ter. Agora estamos no reino do fazer, mas tenho uma certa esperança de que um dia se alcance o reino do ser.
No reino do ter, nasci do lado dos que tinham. (...)
Vejo os homens da minha família: em rigor, ninguém fazia grande coisa. (...)
Uma coisa que vim a descobrir é que a burguesia da província, da que eu fazia e faço parte, e que normalmente vivia das rendas das quintas mais do azeite e do vinho, não trabalhava mas tinha pelo trabalho uma grande consideração. Talvez por causa dessa hipocrisia entranhada na mentalidade em que nasci, de que a certa altura tomei consciência, não considero o trabalho como um valor, embora tenha passado a vida a trabalhar. Quando era Presidente do Instituto do Livro e o António Braz Teixeira veio para Secretário de Estado da Cultura, tratei de fazer um relatório com o plano e o andamento das actividades do Instituto. Ele leu e disse-me «Tu tens fama de não fazer nada mas afinal tens aqui imenso trabalho.» Eu respondi-lhe: «Esse é um dos equívocos da minha imagem: eu teorizo a preguiça e pratico o trabalho, a maior parte das pessoas teoriza o trabalho e pratica a preguiça.»
Foto: http://sites.google.com/site/casaalexandratorrens/_/rsrc/1256058065285/dos-alunos/sitios-de-interesse/Teatro_Nacional_S%C3%A3o_Carlos.jpg
Eu não estou triste nem zangada com o Natal.
Fico é mais sensível a tudo e a todos, mariquinhas, lamechas… E depois, dá-me para ser irónica e um bocadinho azeda… Mas não é por mal. Até gosto do Natal!
Do que não gosto é de centros comerciais cheios, nem de gente que perde a educação nestas situações. Parece que andamos todos (e eu estou no meio do "molho") num estado de consciência alterado, que perdemos a lucidez...
E depois há a hipocrisia. Não do Natal. Das pessoas.
São solidárias porque contribuem com dinheiro para causas muito nobres, sem dúvida, mas incapazes de conversar durante mais de 5 minutos com quem mora ao lado. São solidárias porque dão dinheiro ou coisas, mas não dão 1 hora do seu tempo. Podem até ser solidárias, mas são incompetentes no combate à solidão.
Daqueles que oferecem presentes a tudo o que se mexe, mas que não perdem tempo a pensar no que dar. Despacham todos exactamente com a mesma coisa (por vezes há pequenas diferenças no tamanho e/ou na cor).
De quem só se lembra de telefonar nesta altura. Daqueles que nem telefonam: enviam uma mensagem pirosa igual àquela que alguém lhes mandou. Porque andam todos muito ocupados….
Foto: http://www.flickr.com/photos/imh/3297961043/Mais alguns títulos para a minha "biblioteca" privada:
- A Invenção de Morel (Adolfo Bioy Casares)
- A Serpente ( Stig Dagerman)
- A Ilha dos Condenados (Stig Dagerman)
- Os Cadernos de Dom Rigoberto (Mario Vargas Llosa)
- Os Irmãos Karamazov (Dostoievski)
As estantes vão-se curvado com o peso dos livros, há livros espalhados pela casa toda (o que não é difícil, tratando-se de uma casa realmente pequenina), mas não me canso de os namorar.
Estive a catalogá-los no fim-de-semana, porque a memória já me vai pregando partidas sobre os que tenho (ou tive). Neste momento, são quase 600. Por este andar, não faltará muito para que os livros fiquem no quentinho, em ambiente devidamente climatizado, e eu a dormir no terraço.
Se eu não acho que está da altura de ganhar juízo e começar a ser racional? Nem por isso...
Foto: http://www.flickr.com/photos/lyckeliv/3867607917/Mudámos. Estávamos a precisar de mudar de ares.
Que local melhor para divagar e delirar do que um sofá vermelho?
Renunciamos a muito de nós mesmos para sermos como os outros - Arthur Schopenhauer
Eu gosto do Natal. Adoro o Natal!
Deliro com todos os centros comerciais. À pinha, inchados, a rebentar pelas costuras. Dá licença? – Qual licença?! Aqui ninguém dá nada ninguém!
E gente atarefada que anda numa correria, que se atropela sem pedir desculpa, que luta e se descabela para conseguir aquele presente que é o ideal, não por ser à medida “daquela” pessoa, mas por ser uma pechincha e ter ar de coisa cara e tal.
Sem marca, é um facto, mas bem disfarçado, embrulhado em papel bonito e um laço dourado, faz figura, não faz?
E os meninos, nos hipermercados, que assistem, pasmados, às compras do Pai Natal.
É o Pai Natal que oferece, dizem as mãezinhas, ele não tem tempo para comprar os presentes para todas as criancinhas.
E os miúdos, ranhosos, depois de tantas fitas, pois sim, é o Pai Natal, devem pensar que sou parvo, mas sim, finjo que acredito, quero lá saber quem paga a conta, afinal.
E as árvores de plástico, tão lindas, enormes, de todas as cores, brancas, pretas, verdes, roxas, vermelhas… Vejam bem, senhores!
E toda a gente a sorrir, feliz, bem-disposta, a transbordar de alegria, esquecem-se invejas, intrigas, querelas… Dizem que é isto, a magia.
O Natal deixa-me triste. É um facto. Mas um facto que não sei explicar.
Gosto do intimismo da época, sou capaz de ficar horas a olhar para velas e decorações de Natal, adoro ouvir as músicas da época na voz de Nat King Cole, gosto muito de preparar a ceia de Natal, de escolher com tempo e muito cuidado os poucos presentes que ofereço...
Então porque é que não consigo evitar esta sensação de desconsolo, de desamparo? Muitas vezes estes são os dias mais tristes do meu ano.
A minha vida tem cheiros e tem sabores.
Os dias frios dos meus tempos de menina, por exemplo, cheiram e sabem a frutos e a especiarias.
São também o meu refúgio e abrigo quando me apetece voltar a sentir o abraço morno da infância.
Suponhamos que estamos na época natalícia e que moram numa casa pequena. Tão pequena que não têm espaço para uma árvore de Natal. E que têm andado à procura de "qualquer coisa" especial alusiva à época mas que, por quererem algo mesmo "especial", ainda não caíram na tentação de despachar o assunto com "uma porcaria qualquer".
Há dias assim. São momentos em que preciso de silêncio, de tempo, de espaço. São momentos em que preciso de mim e de uma pausa do mundo.
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