Delírios e Devaneios

Conversas no sofá vermelho...

19:54

Uma questão de gosto

Publicada por Arisca |


Sou uma leitora voraz. Há alturas em que leio mais, outras menos, mais depressa ou mais devagar, com mais ou menos paixão, mas os livros estão sempre presentes.
Os critérios de escolha prendem-se muito com o momento. E se nem todos os bestsellers me entusiasmam, também não fujo deles como se tivessem alguma doença contagiosa.
Miguel Sousa Tavares, José Rodrigues dos Santos são bons exemplos. São campeões de vendas, os críticos ignoram-nos, eu gosto de os ler. E leio. E continuo a ler. E não sendo obras-primas da literatura, distraem-me durante uns dias e cumprem a sua função. Porque há livros que servem para nos entreter. Porque há alturas em que nos apetece adoptar uma atitude mas passiva, absorver, receber sem termos de dar demasiado de nós. Porque é legítimo. Porque nem todos os autores têm de ser escritores.
Claro que também há autores que nunca li, não quero ler, e com os quais embirro solenemente.
É uma questão pessoal. É o caso de Nicholas Sparks, Stephenie Meyer e Margarida Rebelo Pinto. Digamos que é antipatia visceral e não há nada a fazer...
Há autores que li há uns anos atrás, na altura gostei, e que agora não me dizem nada. Paulo Coelho, por exemplo. Quando li "Brida", fiquei deslumbrada. Depois o deslumbramento foi-se transformando em enfado e depois em... indiferença. A razão é simples: o que considerava uma leitura introspectiva passou a saber-me a receita-para-a felicidade-instantânea-confeccionada-com-ingredientes-insípidos-que-não-passam-de-lugares-comuns.
Porquê esta mudança? - A razão é simples: vamos ganhando experiência como leitores, tornamo-nos mais exigentes.
Além disso, o gosto vai-se refinando. Sim, porque o gosto também se educa.

16:12

Verdade Incontornável

Publicada por Arisca |



A gente indigna-se, zanga-se, revolta-se, esbraceja, vocifera e um dia... resigna-se.


17:53

Arrependimento III

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- Do que é que te arrependes?
- De nada. Nunca me arrependo de nada. Faria tudo outra vez!
- Exactamente da mesma forma?
- Sim.
- Curioso... Julgava-te mais inteligente!
- Desculpa?
- Uma coisa é aprender com os erros. Outra é repeti-los até à exaustão.
- Qual é o propósito do arrependimento?
- Boa pergunta...
- Para mim, é o perdão. A remissão dos pecados.
- Talvez...
- Significa então que podemos fazer tudo, desde que depois nos arrependamos.
- ...
- Curioso.... Não te julgava tão cínica!

21:48

Arrependimento II

Publicada por Arisca |




Porque o arrependimento, como o desejo, não procura analisar-se, mas sim satisfazer-se - Marcel Proust

19:33

Arrependimento I

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- Arrependes-te?
- Arrependo.
- Mas não foi um impulso.
- Não. Sabia perfeitamente o que estava a fazer.
- E voltaste a fazê-lo.
- E arrependi-me de cada vez. Só faço o que quero, porque sei que posso sempre arrepender-me depois.

12:29

Mensagem de Natal

Publicada por Arisca |


Caros amigos,

Desejo-vos um doce Natal, pleno de paz e ternura.
Bem sei que nos "conhecemos" há pouco tempo, mas não consigo evitar uma certa cumplicidade depois de tantas coisas partilhadas. Porque as palavras são poderosas: têm a força da pedra, quando atiradas, a magia do carinho, quando dadas. Têm o poder de afastar pessoas, de aproximar outras. São quentes como o fogo, frias como o gelo.
Gosto de palavras. E hoje, as palavras que deixo a quem as ler, são de ternura.
Ternura é o "meu" presente. Porque é ternura o que desejo que nunca nos falte.

Um abraço sem rosto, mas muito sentido
*Arisca

15:40

Plano das Festas

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Já tenho tudo mais ou menos pronto para o nosso Natal.
Os presentes estão comprados e devidamente embrulhados (adoro escolher o papel, as fitinhas, embrulhar presentes, escrever os cartões que os acompanham). As decorações estão feitas. Os ingredientes para os doces estão na despensa.
A consoada será na casa dos meus pais.
Amanhã à tarde vou buscar os meus sobrinhos e vamos ter uma noite de Natal aqui: vamos apagar as luzes, acender todas as velinhas, ouvir música e eles vão fazer os presentes para oferecer ao pai e à mãe: comprei duas t-shirts brancas, um conjunto de marcadores especiais para tecidos e eles vão "decorá-las" como quiserem. Vou sugerir que façam um desenho dos quatro (mãe, pai e filhos), mas a escolha será deles.
Depois vamos dormir os três muito enroscadinhos na minha cama (que eles acham muito fofinha), eu não vou descansar nada porque tenho sempre medo que eles caiam, sei que vou levar um sopapo de um deles (é inevitável) e eles vão acordar-me de manhã bem cedo!
Depois vamos para a casa dos avós, a mãe deles junta-se a nós e vamos passar o resto do dia na cozinha.
A lista de iguarias a preparar será a seguinte:
- Folhados de chèvre (especialidade minha)
- Arroz doce (especialidade da minha mãe)
- Bolo com cobertura e recheio de chocolate e noz (especialidade minha)
- Bolo de gila e amêndoa (especialidade da minha mãe)
- Gelatina de morango decoradas com gomas (especialidade da minha mana)
- Salame de chocolate (especialidade da minha mana)
- Salada de fruta (especialidade do meu pai)
A escolha das bebidas será da responsabilidade do meu cunhado
- Bolo-Rei, sonhos e filhós (especialidade da pastelaria aqui da rua)
O jantar será o tradicional bacalhau e frango do campo no forno com recheio de fígado, pinhões, maçã e ameixas (o recheio é especialidade minha).
É muita comida, bem sei. Mas vamos fazer pequenas quantidades e no dia 25 não queremos que ninguém passe mais do que 5 minutos na cozinha.

13:21

Filmes de Natal

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Há filmes que fazem parte do meu Natal: Mary Poppins, O Feiticeiro de Oz, Música no Coração, My Fair Lady, Oliver Twist, Do Céu Caiu uma Estrela (It's a Wonderful Life).
Lembro-me de estar em casa dos meus avós, devia ter 5 ou 6 anos, e de estar a ver Mary Poppins no dia de Natal. Estava doente, cheia de dores de garganta, e estava sentada ao colo de uma tia. A minha avó, já velhinha (sempre a conheci com aquela idade), estava sentada ao meu lado. Como não sabia ler, e eu também não, a minha tia ia lendo as legendas em voz alta.
É uma das minhas mais queridas recordações de Natal.
Esta é uma música que de vez em quando ainda me assalta a memória, sem pedir licença para se instalar.

Os outros filmes chegaram a mim alguns anos mais tarde. Eram os filmes que víamos quando passávamos o Natal em Lisboa, só com os meus pais.
Nesses anos, o Natal era menos animado, não havia o entusiasmo de ter toda a família reunida, mas não era um Natal triste. Durante a tarde, a minha irmã e eu ajudávamos a minha mãe na cozinha com os doces enquanto "longe", indiferente à nossa azáfama, passava My Fair Lady, Música no Coração, O Feiticeiro de Oz ou Oliver Twist.
Na noite de Natal víamos sempre Do Céu Caiu uma Estrela. Um filme triste, mas que nos tocava imenso.
É estranho falar de filmes que passavam na televisão? Podia ser, se não fossem vistos em família, se não fossem momentos de partilha e cumplicidade, se estivéssemos em frente da televisão sem nada para dizer.
Podia ser até inquietante. Mas o que eu recordo não é exactamente os filmes (para ser franca, se me lembro das histórias é à força de tantas vezes os ter visto). O que guardei para mim e que recupero da memória é a vivência e as emoções daqueles bocadinhos.

19:20

Um Presente de Natal

Publicada por Arisca |


As férias de Natal já começaram. Pelo menos, as minhas.
Na quinta-feira foi o último dia de aulas antes das férias e decidi preparar uma aula um bocadinho diferente: cada aluno falou sobre o modo como se celebra o Natal no seu país, os que não celebram Natal falaram sobre a festa mais importante na sua cultura (ou religião), fizemos uma pequena festa onde não faltaram amostras dos doces tradicionais (levei um bolo-rei, filhós e sonhos) e resolvi "surpreendê-los" com um pequeno mimo para cada um: uma caixinha de chocolates Regina (que são dos nossos). Só que a surpreendida fui eu: um cartão de boas-festas com mensagens que me encheram a alma, um colar muito elegante, chocolates e uma echarpe!
- É linda!
- É violeta. A sua cor.

Fiquei feliz! Acho que há entre nós empatia e temos criado cumplicidades. Mas o facto de terem acertado na cor fez-me sentir que me vão conhecendo, aos poucos. Esse foi o melhor presente e nem sequer veio embrulhado.

21:21

Sobre a auto-estima

Publicada por Arisca |


Quando o capitão me apresentava aos outros passageiros e me chamava "o Sr. Dr. Delegado de Goa", nem queria acreditar que era comigo. É que eu tinha demorado muito a entrar na vida e não me sentia ainda à vontade dentro dela.
(...)
Numa tribo da Nova Guiné, está entendido que as crianças que nascem à terça-feira são inteligentes, solares e vencedoras e, as que nascem à sexta, são estúpidas, falhadas e vencidas. O pior, é que isso acaba por acontecer porque o tratamento que os outros lhes dão é que faz delas escravas ou vencedoras. Eu acho que o Dr. Domingos me tratou como se eu tivesse nascido numa terça-feira, e eu tinha sido tratado como quem nasceu à sexta.

Alçada Baptista, em O Riso de Deus

Este é o grande problema: durante anos somos "brindados" com estímulos negativos. Com boas intenções, tentam fortalecer-nos o carácter. Tentam impedir-nos de nos transformarmos em monstros narcisistas, cheios de nós mesmos. Mas acabamos por interiorizar essa mensagem. Duvidamos de nós. Das nossas capacidades. Do nosso valor.
Anos mais tarde, quando (e se) temos a sorte de nos cruzarmos com alguém que veja em nós algum valor, achamos que estão só a ser simpáticos. E não há forma de modificarmos a imagem distorcida que criamos de nós próprios.
É por isso que acho que há coisas que não podemos de dizer, se não as sentirmos. Outras não podem deixar de ser ditas, nos momentos certos.

21:08

O Nome da Rosa

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Chamava-se Rosa. Foi o nome que lhe deram, não foi o que escolheu.
Nome de flor.
Acharam-lhe traços delicados, uma fragilidade que o tom rosáceo da pele não escondia. Delicada e perfumada como uma flor.
Floresceu com a idade. Desabrochou com o tempo. A delicadeza dos gestos e das expressões ocultavam a acutilância dos espinhos.
Um dia, chegou o Inverno. Caíram-lhe as pétalas. Ficaram os espinhos. Voltou a florescer. Colocaram-na numa redoma para a proteger do frio dos Invernos que se seguiram.
Um dia murchou sem que tivesse tido a oportunidade de mostrar a exuberância do seu esplendor.

22:03

Um miminho embrulhado

Publicada por Arisca |




A Maria Teresa tem-me dado imensos miminhos e este tem um sabor especial... Porque, para o "merecer", tenho de falar sobre livros. Que pena! ;)

As regras são estas:
1º Enumerar 5 livros que gostaria de receber pelo natal
2º Oferecer o selo no mínimo a três blogues


Cinco livros que gostava de receber neste Natal:
1. Ernestina, de J. Rentes de Carvalho;
2. A Consciência de Zeno, de Italo Svevo;
3. O Homem sem Qualidades, de Robert Musil;
4. O Homem Lento, de JM Coetzee;
5. A Volta ao Dia em 80 Mundos, de Julio Cortázar.

Ofereço este selo a...
S*
Gata Escaldada
Margarida

Maria Teresa, um beijinho grande e muito obrigada!

22:14

A Pesca à Linha

Publicada por Arisca |


Partilho convosco bocadinhos do que li, sentada naquele banco, sozinha no meio de tantas coisas que aconteciam por ali em simultâneo. Só porque sim.

1.
Eu sou da burguesia da província, onde nasci em pleno reino do ter. Agora estamos no reino do fazer, mas tenho uma certa esperança de que um dia se alcance o reino do ser.
No reino do ter, nasci do lado dos que tinham. (...)
Vejo os homens da minha família: em rigor, ninguém fazia grande coisa. (...)
Uma coisa que vim a descobrir é que a burguesia da província, da que eu fazia e faço parte, e que normalmente vivia das rendas das quintas mais do azeite e do vinho, não trabalhava mas tinha pelo trabalho uma grande consideração. Talvez por causa dessa hipocrisia entranhada na mentalidade em que nasci, de que a certa altura tomei consciência, não considero o trabalho como um valor, embora tenha passado a vida a trabalhar. Quando era Presidente do Instituto do Livro e o António Braz Teixeira veio para Secretário de Estado da Cultura, tratei de fazer um relatório com o plano e o andamento das actividades do Instituto. Ele leu e disse-me «Tu tens fama de não fazer nada mas afinal tens aqui imenso trabalho.» Eu respondi-lhe: «Esse é um dos equívocos da minha imagem: eu teorizo a preguiça e pratico o trabalho, a maior parte das pessoas teoriza o trabalho e pratica a preguiça.»

2.
Como já disse, acho que não vou conseguir manter-me na narração dos factos sem cair na tentação de fazer os comentários e as reflexões tanto do meu agrado, como fiz nos dois volumes da minha "Peregrinação Interior". A mania da reflexão é um tique cultural de que já me não devo curar. De qualquer modo, foram os acontecimentos e as circunstâncias que impressionaram a minha consciência e, ao fazerem-me reflectir sobre eles, fizeram de mim o que sou. O ocidental construiu a sua personalidade através da sua consciência individual ligada à história que a condicionou. É assim que se faz uma pessoa.

A mania da reflexão. Este tique que fez dele quem é. "É assim que se faz uma pessoa".
É também por isto que não me canso de o ler!

21:22

Sábado foi assim

Publicada por Arisca |

Foto: http://sites.google.com/site/casaalexandratorrens/_/rsrc/1256058065285/dos-alunos/sitios-de-interesse/Teatro_Nacional_S%C3%A3o_Carlos.jpg

Ontem o meu dia começou por volta das dez horas.
Apanhei o metro até aos Restauradores e andei a pé pelas ruas da Baixa. Gosto da cidade de manhã, à hora a que os lugares começam a ganhar vida. Passei pela Rua 1º de Dezembro, subi a Rua do Carmo e foi aí a minha primeira paragem, para tomar um café numa daquelas pastelarias, que em tempos foram leitarias. Um café e um pastel de nata, para ter energias para o passeio.
Depois entrei na Livraria Portugal. Primeira compra: O Banqueiro Anarquista. Segui a passo de passeio até ao nº 10, entrei na Assírio e Alvim e saí de lá com mais duas compras: O Livro do Desassossego e a Mensagem.
Segui depois pela Rua Garrett, passei os olhos pela livraria Bertrand, e cheguei à Rua Anchieta. O lugar onde todos os sábados há um mercado de livros usados e manuseados ao ar livre.
Gosto destes lugares. É verdade que se encontram lá verdadeiras pechinchas, mas é mais do que isso: é a atmosfera, as pessoas que por lá passeiam à procura daquele livro que não há nas livrarias, as pessoas que vendem livros e que os conhecem verdadeiramente. Porque os lêem. Porque conhecem quem escreve e quem lê. Porque partilham histórias. Porque, quando vão conhecendo quem compra, arriscam conselhos. "Tenho aqui um livro que é mesmo para si". Quem consegue resistir? - Eu, não.
Encontrei lá dois livros de Alçada Baptista que ainda não tinha.
- Já leu alguma coisa dele?
- Já. É dos meus escritores preferidos. Fiquei maravilhada quando li O Riso de Deus.
- Há uma idade para se ler os livros dele. Para o compreender.
- Eu tinha 21 anos. Fiquei deslumbrada. Alguém da sua geração com uma visão tão livre e libertadora do amor e das relações.
- Eu conheci-o. A minha loja fica muito perto da casa onde ele morava. Conversávamos, às vezes.
- Tem sorte. Deve ter sido uma pessoa fascinante.
- Sim, era. Depois, por motivos que agora não interessam, perdeu-se. Mas era um excelente conversador. Ele autografou-me alguns livros. Esses não vendo.
- Eu também não vendia.
- Sabe, levo muitos livros lá de casa para vender na loja. Cada vez preciso menos de ter livros em casa. Levo uns, trago outros. Passe lá pela loja. Tenho lá algumas coisas que lhe devem interessar.
Despedi-me com um aperto de mão e a promessa de uma visita.
Mais tarde, carregadíssima mas feliz, não consegui refrear o entusiasmo. Dirigi-me ao largo do Teatro S. Carlos, sentei-me num banco, e comecei a ler ali mesmo A Pesca à Linha - Algumas Memórias.
Para mim, esta é a ideia de tempo bem passado.

23:39

Conversas (sur)reais com os meus sobrinhos

Publicada por Arisca |

Foto: SVJ


Cumprimento:
Tia - Nanocas, minha querida! Minha princesa!
Sobrinha - Tia, minha pequenina!! Minha bebé!
(altura da sobrinha: 1 m ; altura da tia: 1,70cm)

Conversa:
Tia - Hoje a mãe faz anos, sabiam?
Sobrinha - Sim. Eu já "di-lhe" um "pesente".
Tia - Sim? E o que lhe deste, meu amor?
Sobrinho - Eu dei-lhe um sapo. Porque eu parti a pata do sapo que está na casa de banho.
Tia - Hum.... (Que diabo...)
Sobrinha - E eu "di-lhe" uma coisa para ela pôr ao "tshcoço"
(tradução: um colar)

Tia - Já escreveram a carta ao Pai Natal?
Sobrinho - Eu já. Pedi a ilha dos "Gormiti", uma pista "Hot Wheels" e um mundo.
Tia - Um mundo?
Sobrinho - Sim. Eu ainda não tenho um mundo!
(tradução: um globo terrestre)

Tia - E onde é que mora o Pai Natal?
Sobrinha - No centro comercial!

Despedida:
Sobrinha: E não te esqueces de comprar as minhas gomas "de" minhocas, sim?
Tia: Sim, minha linda. A tia vai comprar "quinhentas"!
Sobrinha: Não. Mais!
Tia: Mais? Quantas?
Sobrinha: Hum... Mil! E depois vens cá trazer, está bem?

Estes meninos achem-me a alma!

16:37

Esclarecimento

Publicada por Arisca |


Eu não estou triste nem zangada com o Natal.
Fico é mais sensível a tudo e a todos, mariquinhas, lamechas… E depois, dá-me para ser irónica e um bocadinho azeda… Mas não é por mal. Até gosto do Natal!
Do que não gosto é de centros comerciais cheios, nem de gente que perde a educação nestas situações. Parece que andamos todos (e eu estou no meio do "molho") num estado de consciência alterado, que perdemos a lucidez...

E depois há a hipocrisia. Não do Natal. Das pessoas.
Das pessoas que se lembram de ser solidárias uma vez por ano.
São solidárias porque contribuem com dinheiro para causas muito nobres, sem dúvida, mas incapazes de conversar durante mais de 5 minutos com quem mora ao lado. São solidárias porque dão dinheiro ou coisas, mas não dão 1 hora do seu tempo. Podem até ser solidárias, mas são incompetentes no combate à solidão.

Daqueles que oferecem presentes a tudo o que se mexe, mas que não perdem tempo a pensar no que dar. Despacham todos exactamente com a mesma coisa (por vezes há pequenas diferenças no tamanho e/ou na cor).

De quem só se lembra de telefonar nesta altura. Daqueles que nem telefonam: enviam uma mensagem pirosa igual àquela que alguém lhes mandou. Porque andam todos muito ocupados….
É disto que eu não gosto. Não só no Natal. Todo o ano.
Se alguém me quiser oferecer alguma coisa, não precisa de ir ao centro comercial. Prefiro que me ofereça meia hora do seu precioso tempo. Para um chá e dois dedos de conversa.

00:16

Outra vez os livros

Publicada por Arisca |

Foto: http://www.flickr.com/photos/imh/3297961043/

Mais alguns títulos para a minha "biblioteca" privada:
- A Invenção de Morel (Adolfo Bioy Casares)
- A Serpente ( Stig Dagerman)
- A Ilha dos Condenados (Stig Dagerman)
- Os Cadernos de Dom Rigoberto (Mario Vargas Llosa)
- Os Irmãos Karamazov (Dostoievski)
As estantes vão-se curvado com o peso dos livros, há livros espalhados pela casa toda (o que não é difícil, tratando-se de uma casa realmente pequenina), mas não me canso de os namorar.
Estive a catalogá-los no fim-de-semana, porque a memória já me vai pregando partidas sobre os que tenho (ou tive). Neste momento, são quase 600. Por este andar, não faltará muito para que os livros fiquem no quentinho, em ambiente devidamente climatizado, e eu a dormir no terraço.
Se eu não acho que está da altura de ganhar juízo e começar a ser racional? Nem por isso...

20:03

No Sofá Vermelho

Publicada por Arisca |

Foto: http://www.flickr.com/photos/lyckeliv/3867607917/

Mudámos. Estávamos a precisar de mudar de ares.
Que local melhor para divagar e delirar do que um sofá vermelho?

18:41

Mimetismo

Publicada por Arisca |



Renunciamos a muito de nós mesmos para sermos como os outros - Arthur Schopenhauer

19:55

Ode ao Natal

Publicada por Arisca |


Eu gosto do Natal. Adoro o Natal!
Deliro com todos os centros comerciais. À pinha, inchados, a rebentar pelas costuras. Dá licença? – Qual licença?! Aqui ninguém dá nada ninguém!
E gente atarefada que anda numa correria, que se atropela sem pedir desculpa, que luta e se descabela para conseguir aquele presente que é o ideal, não por ser à medida “daquela” pessoa, mas por ser uma pechincha e ter ar de coisa cara e tal.
Sem marca, é um facto, mas bem disfarçado, embrulhado em papel bonito e um laço dourado, faz figura, não faz?
E os meninos, nos hipermercados, que assistem, pasmados, às compras do Pai Natal.
É o Pai Natal que oferece, dizem as mãezinhas, ele não tem tempo para comprar os presentes para todas as criancinhas.
E os miúdos, ranhosos, depois de tantas fitas, pois sim, é o Pai Natal, devem pensar que sou parvo, mas sim, finjo que acredito, quero lá saber quem paga a conta, afinal.
E as árvores de plástico, tão lindas, enormes, de todas as cores, brancas, pretas, verdes, roxas, vermelhas… Vejam bem, senhores!
E toda a gente a sorrir, feliz, bem-disposta, a transbordar de alegria, esquecem-se invejas, intrigas, querelas… Dizem que é isto, a magia.

16:17

Sobre o Natal

Publicada por Arisca |


O Natal deixa-me triste. É um facto. Mas um facto que não sei explicar.
Gosto do intimismo da época, sou capaz de ficar horas a olhar para velas e decorações de Natal, adoro ouvir as músicas da época na voz de Nat King Cole, gosto muito de preparar a ceia de Natal, de escolher com tempo e muito cuidado os poucos presentes que ofereço...
Então porque é que não consigo evitar esta sensação de desconsolo, de desamparo? Muitas vezes estes são os dias mais tristes do meu ano.

20:45

Cheiros e Sabores

Publicada por Arisca |


A minha vida tem cheiros e tem sabores.
Os dias frios dos meus tempos de menina, por exemplo, cheiram e sabem a frutos e a especiarias.
A doce de tomate, a marmelada, a batatas doces assadas no forno, a arroz doce com canela e limão, a bolo de mel, a pão-de-ló com nozes, a bolo de amêndoa e gila, a doce de abóbora, a figos secos com nozes, a romãs.
Têm também outros perfumes, outros sabores, outras cores que não sei descrever.
São subtilezas, guardadas na memória, que me acompanham desde os primeiros tempos. São sensações que me perseguem. Que me visitam de tempos a tempos sem precisarem de convite.
São também o meu refúgio e abrigo quando me apetece voltar a sentir o abraço morno da infância.

19:18

Estranhos perfumes

Publicada por Arisca |

Hoje, não sei como nem porquê, senti o cheiro da casa do forno da minha avó. A casa do forno cheirava a pão acabado de cozer, a chouriços pendurados ao fumeiro, a frutos secos espalhados em enormes tabuleiros de madeira, a marmelada feita naquele Outono, a comida cozinhada em panelas de barro.
E a fumo! Cheirava ao fumo de lenha húmida queimada e quase senti no corpo o calor daquelas autênticas fogueiras que aqueciam as noites geladas do Alentejo.

14:53

Meras suposições

Publicada por Arisca |


Suponhamos que estamos na época natalícia e que moram numa casa pequena. Tão pequena que não têm espaço para uma árvore de Natal. E que têm andado à procura de "qualquer coisa" especial alusiva à época mas que, por quererem algo mesmo "especial", ainda não caíram na tentação de despachar o assunto com "uma porcaria qualquer".
Ainda no campo das suposições, suponhamos que, num desabafo daqueles que nos saem boca afora sem pedir licença, dizem a alguém "Este ano não há nada de jeito! Estou mesmo desanimada com isto!". E que esse alguém é a vossa mãe. Neste caso, a minha.
Suponhamos que no dia seguinte ela vos oferece um presente. Embrulhado, dentro da caixinha e tudo!
Suponhamos que tudo isto vos acontece e a pergunta que vos coloco é esta: Onde diabo é que vocês metiam um presépio manhoso, made in China, cujos Reis Magos parecem odaliscas? Isto, claro, sem ferir as susceptibilidades de ninguém...

21:28

Estado de Alma

Publicada por Arisca |


E se estou calada, é porque não tenho nada para te dizer.
Hoje, não me apetece. Não me apetece ouvir-te os queixumes de sempre. As lamentações. As indecisões. Desculpa, mas não estou aqui para te dar pancadinhas nas costas e afagar o cabelo. Hoje, não.
Porque hoje quem precisa de colo sou eu. E porque olhei para os lados e ninguém se ofereceu para mo dar.

00:20

Entreactos

Publicada por Arisca |


Há dias assim. São momentos em que preciso de silêncio, de tempo, de espaço. São momentos em que preciso de mim e de uma pausa do mundo.

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