
Foto: http://www.flickr.com/photos/nichollsphotos/3010144444/
Ontem ouvi o primeiro-ministro, na entrevista que deu a Miguel Sousa Tavares, dizer com um ar muito indignado: "A mim, ninguém me trata por chefe!". E eu que achava que ele era chefe de Governo! Ando mesmo distraída...
Hoje a Brown Eyes presenteou-me com este mimo:
Dizem as regras que devo dizer o que achei do selo.
O selo é bonito e fico contente por se ter lembrado de mim. Mas o verdadeiro mimo é o prazer de trocar ideias com pessoas que nos tocam sem nos conhecerem. Pessoas que nos dirigem duas palavras simplesmente porque lhes apetece. Pessoas que são tão generosas que nos dão o seu tempo. Pessoas como a Brown Eyes. Muito obrigada!
Os dias da semana não costumam afectar o meu estado de humor.
Mas desta vez... É que nem dei pelo fim-de-semana! Passou a correr e a chover (ainda por cima)! Será que não podíamos passar por cima da segunda-feira? Vá lá! Só desta vez...
Tenho as mãos suadas. O coração parece que vai sair disparado porta afora.
Há pessoas que não consigo compreender. Lamento, mas não consigo.
Não consigo simpatizar com pessoas cheias de certezas, que acham que sabem tudo, que julgam que têm todas as respostas e a solução para qualquer problema.
Irritam-me aqueles que se dizem "directos e frontais", mas que usam esses adjectivos para justificar a sua arrogância.
Não tenho paciência para quem está cheio de si mesmo e só se consegue ouvir a si próprio.
Quando estou perto de alguém assim, desligo.
Foi o que aconteceu hoje. De um almoço de quatro pessoas que se estendeu por duas horas, ficou-me na memória uma óptima refeição e um longo silêncio pontualmente interrompido por uma irritante voz de fundo.
É preciso ter dúvidas. Só os estúpidos têm uma confiança absoluta em si mesmos - Orson Welles
Hoje à hora de almoço - Parte II
Foto: http://www.flickr.com/photos/atomicglee/3955129044/
Entrou no restaurante, sentou-se a uma mesa junto à janela e fez o pedido. Era visível o desconforto. Não sei se pelo facto de não ter companhia para o almoço, ou por outro motivo qualquer. Trouxeram-lhe a bebida, uma garrafa de água média, natural, e ela tirou o jornal da pasta. Foi passando os olhos pelas notícias, indiferente ao que se ia passando à sua volta. Não reparou num grupo de cinco pessoas, numa mesa vizinha, em alegre cavaqueira, nem nas suas gargalhadas. Não reparou numa mesa ocupada por dois homens de fato e gravata que iam conversando, e se iam ocupando de pãozinho com manteiga, enquanto esperavam pela refeição. Não reparou num grupo de três mulheres que conversavam animadamente. Não notou o telintar de copos, pratos e talheres, nem na agitação dos empregados que percorriam a sala apressadamente para responder às solicitações dos clientes.
Só havia espaço para ela, para o jornal e para uma ruga, que parecia de preocupação, que lhe desfigurava a testa.
Depois de almoçar, levantou-se, passou por um dos empregados, pediu um café.
Quando voltou, puxou a cadeira para se sentar. No momento em que se sentava, ouviu-se um barulho seco e um dos homens de fato e gravata da mesa em frente não conseguiu reprimir um gritinho. Se de dor ou de surpresa, não sabemos. Levou a mão à testa. Uma marca vermelha, redonda como um botão, manchava-lhe a pele.
Ela corou, desviou o olhar para o jornal, começou a mexer o café. A ruga que antes lhe marcava o rosto desapareceu. Podíamos até vislumbrar a sombra de um sorriso tímido.
A casa está vazia. Já não mora cá ninguém.
Já não te ouço os passos, nem o riso.
Nunca te disse, mas gostava de olhar para ti! Gostava de quando me perdia na imensidão dos teus olhos azuis e reconhecia cada um dos caminhos traçados no teu rosto! Das tuas mãos trémulas que voltaram a ter a suavidade de outrora. Do teu cabelo feito de nuvens de algodão doce.
Lembras-te de quando nos sentávamos debaixo da ameixeira do jardim?
Eu segredava-te doçuras ao ouvido e tu coravas. Pousava o braço nos teus ombros, roubava-te um beijo e tu chamavas-me tonto. Contava-te histórias e tu rias-te.
Lembras-te de quando nos sentávamos debaixo da ameixeira do jardim?
Bebíamos e saboreávamos aquela tranquilidade...
Lembras-te de quando nos sentávamos debaixo da ameixeira do jardim?
Eu fui deixando de te ouvir, tu foste deixando de me falar e fomo-nos habituando à presença silenciosa um do outro.
Tantas coisas que não dissemos!
Ontem não nos sentámos debaixo da ameixeira do jardim.
Já não te ouço nem os passos, nem o riso. Sufoca-me o vazio da tua ausência!
Fechei as janelas. Tranquei a porta. A casa está vazia.
Sento-me debaixo da ameixeira do jardim e é lá que quero esperar por ti.
(Texto recuperado do tempo em que escrevia A Tinta Permanente)
Fábrica de Letras - Aqui fabricam-se palavras, sonhos e emoções.
Foto: http://www.flickr.com/photos/29950717@N05/3791148682/
Acerca de mim
- Arisca
- E se as coisas deste mundo fizessem sentido? E se compreendêssemos as regras deste jogo de loucos que ninguém perguntou se queríamos jogar?
Delírios Passados
-
▼
2010
(46)
-
►
Janeiro
(20)
- E os azares continuam....
- Azares em cadeia
- Lições de Pessoa
- Indignação
- Daisy Miller
- O Mar em Casablanca
- A Promessa
- Ajudar a aprender
- Outras histórias
- A Estrada - o filme
- A Terceira Condição
- O Carteiro
- Lisboa à chuva
- Sono de Inverno
- O meu reino por uma lareira
- Livros que mudam vidas
- A Vida em Surdina
- O Prazer do Café
- E se trocássemos umas ideias sobre o assunto?
- Virar a página
-
►
Janeiro
(20)
Delírios dos outros
-
-
-
-
-
-
Deve ser do cansaçoHá 10 horas
-
EstatísticaHá 10 horas
-
-
Quem tramou Peter PanHá 11 horas
-
8 anosHá 12 horas
-
Folie à deuxHá 13 horas
-
One Moment In Time...Há 13 horas
-
-
Love is # 10Há 17 horas
-
-
O absurdo no dia dos namoradosHá 19 horas
-
Volta a Portugal 15/25Há 1 dia
-
4 anosHá 1 dia
-
Celebremos...Há 1 dia
-
WHITNEY HOUSTON (1963-2012)Há 2 dias
-
DOÇURA OU DIABRURA XCVIHá 4 dias
-
E assim, de repente,Há 5 dias
-
SementeHá 1 semana
-
SoproHá 1 semana
-
Soldadinho de chumboHá 1 semana
-
-
-
Fernando Pessoa - ontemHá 2 meses
-
Doce de BeterrabaHá 5 meses
-
-
Nicolau Tolentino.Há 7 meses
-
A (violent) Love StoryHá 11 meses
-
-
lapsus linguae #18Há um ano










